Dia 1 (30/11/2012) - Passeando por Port Williams
Um pouco de confusão marcou o início dessa viagem. Afinal, todos os 49 passageiros que decidiram ficar e cruzar o Drake conosco tiveram que mudar completamente seus planos de viagem. Imagino o tamanho do rolo que foi isso. Atravessamos o canal de Beagle na noite anterior e atracamos em Port Williams. Os planos para o primeiro dia incluíam a carga do navio, distribuição das botas especiais para os passageiros, e mais atividades nossas de guias. Minha primeira função foi levar o grupo de passageiros para um passeio pela pitoresca Port Williams. A foto diz tudo - a cidade é incrivelmente pequena mas a vista é fabulosa. Passeamos pelo centro e pelo museu (o único da cidade) que conta um pouco a história dos povos indígenas que habitavam a região.
Foto 1 Panorama de Port Williams visto do centro da vila.
Voltamos para o navio para o almoço e logo a tarde já pegamos novamente no pesado, com a carga do navio (principalmente do shopping que a AXXI mantém a bordo) e ainda levando 2 grupos para um passeio pelo parque etnobotânico Omora (que significa uma divindade indígena representada por um beija-flor). Aparentemente, no verão, milhares de pássaros vindos principalmente do Brasil, chegam até aqui para nidificar e se alimentar da floresta de Omora. Lugar lindo ! com toda certeza vale muito a pena visitar.
Foto 2 Parque Omora com o grupo bastante animado
A tarde voou rápido e logo estávamos de volta ao navio para zarparmos as 22hs com destino a cabo de Hornos. Até que foi uma noite tranqüila, mas eu, para variar, não consegui dormir direito, estranhando a cama. Paciência ! pelo menos eu escrevo meu diário.
Dia 2 (01/12/2012) - Cape Horn e "The" lake Drake
Acordamos pela manhã às 7h30 bem próximos de Cabo Horn e às 9hs desembarcamos na ilha sob uma chuva gelada e um vento sudoeste firme. Ainda assim foi bom demais começar finalmente a viagem. Cape Horn ou Cabo de Hornos é uma ilha no fim do mundo que possui um farol cuidado e controlado pela marinha chilena. O faroleiro é militar e no caso atual, estava acompanhado de sua esposa e seu filho de 6 anos e uma filha de 9 anos de idade. Chegamos exatamente no primeiro dia de trabalho dessa família ali na ilha e creio que foi bastante estressante para eles vendo um grupo de quase 50 passageiros de vários lugares do mundo chegando ao mesmo tempo em um local tão apertado como era a casa do faroleiro. Dividimos os visitantes em dois grupos, um para o farol e outro para o monumento ao Albatroz (uma placa de pedra vazada com um albatroz em escala 1:1, mostrando quão imenso é esse animal). A ilha é alta, com escarpas íngrimes, e para se chegar ao platô onde se encontra o farol, é necessário subir uma escadaria de madeira capenga com 160 degraus. De lá, partem dois caminhos e mantemos todos em fila para evitar alguém passando pelos campos abertos da ilha que, segundo contam os registros, ainda contém algumas minas terrestres.
Foto 3 Desembarque em Capar Horn
A chuva não deu trégua mas também era pedir muito. Já agradeci bastante a Netuno por manter o mar tranqüilo e sem o swell pesado que normalmente tem na região. Portanto o desembarque foi bastante simples, mesmo com as pedras da praia bastante escorregadias. Fiquei nesse vai e vem de cima para baixo ajudando os grupos que, por causa do frio, decidiram por uma visita curta e logo estavam de volta na praia pedindo para subir a bordo. Vimos alguns lobos marinhos pela volta e também uma baleia Minke nadando por ali perto da praia, e logo antes do almoço, por volta das 11h30, já estavam todos a bordo. Zarpamos para o Drake com a sensação de que, apesar da chuva, ele estaria calmo. Dito e feito ! The "Lake" Drake foi o que encontramos. Dei uma palestra sobre a Convergência Antártica até que com um público bom, e o final da tarde veio com tempo tranqüilo e pouco vento, vendo os albatrozes e petréis dançando atrás do navio.
Foto 4 The Lake Drake e seus pássaros.
Ainda comemoramos o aniversário do Mike, com direito a bolo e parabéns de todos. A comemoração se estendeu um pouco mais no bar, com algumas brincadeiras, uma cerveja e um pouco de música, mas preferi ir cedo para a cama. As 23 hs eu já estava deitado e pronto para uma noite de sono bom.
Dia 3 (02/12/2012) - Cruzando a segunda metade do Drake
Todos os dias Mariano entra no sistema de som do navio com um "Bom Dia Ocean Nova", cerca de 30 minutos antes do café da manhã. Chamamos isso de "Wakeup Call", e hoje, decidimos que não haveria o wakeup call e nem a chamada para o café da manhã. Acordei as 7h30 com o sol entrando pela vigia do meu quarto e o Drake ainda continuava calmo e liso como uma piscina. Incrível ! acho que este foi o Drake mais tranqüilo da minha vida. Terminei de tomar café e ainda voltei para o quarto para finalizar minha apresentação do dia. Lá pelas 10 horas da manhã alguns passageiros guiados por Bjorn, junto comigo e Sandra, vieram para olhar os pássaros que voavam baixo na popa do barco. Essa visão, dezenas de aves voando atrás do navio, foi incrivelmente bonita com o céu azul e apenas algumas nuvens no céu. Até que não estava frio (mais ou menos 5 graus) mas tínhamos que ficar com os casacos pesados por causa do vento, fraco mas constante.
Foto 5 Cruzando o Drake e descansando ao sol.
Não tem muito o que dizer da tarde. Até deu para descansar um pouco depois do almoço, mas o que mais apareceu estranho foi o tempo que mudou. Lá pelas 2 horas da tarde o céu ficou cinza e começou a nevar firme e forte, até a noite. A visibilidade caiu muito e a temperatura baixou a zero. Dei minha palestra sobre pingüins as 4horas da tarde e depois disso só fiquei com algumas funções operacionais do navio, ajudando aqui e ali. O plano para o dia 4 será visitar a ilha Deception. Vamos ver no que vai dar. Por volta das 22h30 avistamos a ilha Smith, cerca de 30 milhas a oeste de Deception. O céu abriu e o por do sol nos brindou com uma noite memorável e fria (cerca de 2 graus de temperatura do ar). Maravilha !
Foto 6 Chuvas (ou neve) no final do Drake
Dia 4 (03/12/2012) - Baily Head e Telephon Bay (Ilha Deception)
Foi duro acordar as 6 hs da manhã mas valeu a pena. Já estávamos praticamente parados na frente de Bailey`s Head, uma pedra com cerca de 300 m de altura na ponta sudoeste da Ilha Deception. Normalmente os barcos não param por ali porque a praia é de acesso muito difícil e ondas batem com tanta força ali que ela tem uma Berna de mais de 2 m de altura. Literalmente uma praia de tombo. Ali fica a maior colônia de pingüins da península com mais de 200 mil pingüins de barbicha (Chinstrap). Entramos por volta das 8 hs da manhã com os botes, e eu abri a fila com os primeiros 10 passageiros, tentando passar por uma verdadeira autopista de pingüins subindo e descendo a ladeira. O que mais me impressionou foi um bloco de gelo sólido com mais de 10 toneladas preso bem dentro da praia, a mais de 50 metros da água. Eu imagino a força e a altura da maré+ondas para colocar um bloco daquele tamanho ali. Subimos a primeira crista e logo o ar se encheu de som de pingüins grasnando um pelo outro (além do cheiro de guano, meio camarão com peixe). Várias skuas e mais um petrel gigante estavam pela área tentando conseguir um bom café da manhã.
Foto 7 Primeiros pingüins.
Foram duas horas de visita a pinguineira, fria e divertida. O vento começou a entrar um pouco mais forte no final da manhã mas já estávamos de saída. As 11h30 em ponto zarpamos dali e começamos o caminho para Telephon Bay, dentro da ilha Deception (que na verdade é a cratera de um vulcão). Entrada apertada e alguns vizinhos - o Sea Adventure, da Quark Expeditions estava em Whalers Bay e o navio da Marinha do Brasil, o Almirante Maximiliano, mais ao fundo próximo a base espanhola. Ao entrarmos deparamos com uma camada grossa de gelo marinho no fundo da baia e decidimos "atracar" o navio no gelo. Para isso, foi preciso entrar em velocidade no gelo, de forma que o navio ficasse preso. E conseguimos ! Partimos para um almoço rápido e logo depois descemos no gelo para tirar fotos, jogar futebol, e caminhar por ali.
Foto 8 OCN no gelo - fenomenal !
A foto já diz tudo - a maior diversão foi pegar a corda grossa na frente do barco, fazendo de conta que puxávamos ele no gelo. Na foto dá para ver ao fundo ainda o time de futebol se aquecendo para o jogo "Pax VS Staff". Divertidíssimo ! Lá pelas 3h30 da tarde levantamos acampamento e zarpamos pela saída da ilha de volta a mar aberto. Nosso destino agora são as ilhas Enterprise, mais dentro da península, onde vamos fazer um cruzeiro de zodiac amanhã e tentar encontrar novidades entre as ilhas de Foyn harbour.
Dia 5 (04/12/2012) - Foyn Harbour e Curverville Island
Lembro que acordei com meu despertador em um quarto completamente escurecido e silencioso, algo que é bem anormal para um navio. É que estávamos ancorados ao largo da ilha Enterprise, na paradisíaca Foyn Harbour. Nossos planos incluiam um bom passeio de zodiac ente as ilhas congeladas. E foi o que ocorreu. Sempre que estive aqui em Foyn podíamos andar livremente entre os canais e ilhas, mas pela primeira vez eu me perdi com tanta neve. Normalmente as ilhas tem marcas claras que usamos como referência, mas dessa vez todas estavam tão cobertas de neve que era muito difícil saber qual é qual. Pelo menos o navio ficou ao largo no estreito de Gerlache e ficou fácil para voltar a bordo. No caminho, visitamos os restos do navio "Gorvernor" que afundou em 1915 com uma carga avaliada (corrigida para valores atuais) de 10 milhões de dólares em óleo de baleia azul - algo que, embora caro, não pode mais ser comercializado. Atracado a bombordo dele estava um veleiro Frances de nome "Paradise". Ahh que vontade de ficar velejando por aqui.
Foto 9 Visitantes de Foyn - yatch Frances junto ao barco afundado.
Voltamos para o navio para o almoço e logo nos movemos mais para o sul, na verdade para sudeste, em direção a ilha Curverville, com sua imensa colônia de pingüins gentoos. O dia estava especialmente claro, céu azul e sem vento, o que tornou a visita a ilha quase que uma sauna a céu aberto. A neve fofa duplicava o trabalho de andar e marcar o caminho para os turistas. Passei um calorão danado com a montanha de roupas que estávamos usando. Mas logo me meti para abrir a trilha até o outro lado da ilha com a espetacular vista das montanhas ao redor da ilha. Ainda sobrou até um tempinho para o meu amigo Mike dar uma "palinha" para os pingüins, tocando sua guitarra. Realmente foi uma tarde especial.
Foto 10 Mike e os pingüins.
O dia estava tão tranqüilo que imediatamente depois de voltarmos de Cuverville, zarpamos para o canal de Lemaire. Deu só tempo de jantar e fomos diretos para aparte aberta do deck 5 para ver a entrada do canal, perfeitamente alinhada com sudeste, o que torna o canal quase que um túnel para a luz do sol no fim de tarde/noite entrar com cores alaranjadas e vermelhas.
Foto 11 a mágica entrada do portal de Lemaire.
Com toda certeza esse é um dos lugares mais bonitos daqui dos mares austrais. Apesar do vento frio dentro do canal a travessia foi absolutamente incrível. Já eram 22 horas quando chegamos do outro lado, e quando Mariano entrou no rádio com uma de suas insanidades antárticas - "Late Zodiac trip" ! Iriamos aproveitar pelo menos mais uma hora de luz até o sol desaparecer atrás dos icebergs. Corremos feito loucos entre os icebergs sob o delírio dos passageiros que, apesar do frio, sorriam e riam sem parar. Wonderfull ! Fui dormir cansado e completamente exaurido de minhas forças, mas feliz pelo presente de final de dia.
Foto 12 Por de sol da meia noite
Dia 6 (05/12/2012) - Petermann Island, Verdnasky e Antarctic Barbecue
Nos movemos de manhã bem cedo para a frente da ilha Petermann com o objetivo de fazer um passeio longo e tranqüilo entre as diferentes colônias da ilha. Petermann é a chave para um fato curioso, o avanço para o norte da ocupação dos pingüins Gentoos e a perda de espaço dos pingüins Adélie. A ilha sempre teve muitos adélies mas de alguns anos para cá tem mostrado cada vez menos ninhos e mais gentoos espalhados por toda a ilha, ainda dividindo espaço com cormorantes de olho azul. Quando chegamos para o desembarque, um juvenil de elefante marinho estava descansando na praia e sinceramente, me parece que não gostou muito de ter sua paz perturbada pelos zodiacs barulhentos encostando perto dele. Andamos por toda a manhã pela ilha e eu aproveitei para recolher um dos meus sensores de temperatura que tinha sido instalado por Loli e Mariano um ano atrás. Fiquei muito surpreso quando baixeis os dados do meu sensor e vi que a temperatura mais baixa do inverno antártico foi de apenas -16 graus e durante boa parte do ano ficou ao redor dos -5 graus. Bem, coloquei outro sensor no lugar deste, na esperança de que no próximo ano vou vir novamente recuperá-lo.
Foto 13 Panorama de Petermann Island
Voltamos para o navio e nos movemos mais para o sul, para a frente das Ilhas Argentinas, que, apesar do nome, tem uma base ucraniana instalada ali. Verdnasky era o nosso objetivo e trabalhei bastante toda a tarde, controlando os passageiros pela base e para um passeio mais longo até Wordy`s House, um pequeno museu mantido como era originalmente pelo geólogo da expedição de Schakelton, Dr. Wordy, que trabalhou ali por um tempo.
Foto 14 Barbecue antártico
Pontualmente as 6 da tarde retornamos para o navio para festejar - era dia de churrasco ! O famoso Antarctic barbecue no deck 5, aberto ao sol, vento e obviamente frio. Mas foi bastante legal ficar um pouco ao ar livre e de pernas para o ar. Esse dia em especial podíamos vestir nossas roupas "normais" pois todos os outros dias estou com o uniforme da empresa (Antarctica XXI). Terminado o churrasco por volta das 19h30, fomos todos para o bar do navio para tocar musica, beber e jogar conversa fora. Mike pegou na guitarra e eu no bongô, e (nos) divertimos muito com todos que ainda conseguiram ficar até tarde - 2hs da manhã, na melhor das noites antárticas.
Dia 7 (06/12/2012) - Paradise Bay, Polar Plunge e Melchior Islands
Acordei as 7hs da manhã com o Mariano falando no sistema de som, dando nossa posição e informando que o céu estava azul e o tempo firme. Felizmente ! para nós ! Estávamos ancorados em Paradise Bay - um pedacinho muito especial da Antártica. Ao fundo da baia estava a base Almirante Brown (Argentina), silenciosa para os humanos porque os argentinos ainda não tinham aberto a base este ano, mas ruidosa para os pingüins que tomavam conta de toda a entrada da base, na volta dos prédios e pelas colinas. Colocamos 6 botes na água e zarpamos para Skontorpe Cove, onde um dos maiores glaciares da região encosta no mar. As águas estavam super tranqüilas e passeamos por mais ou menos uma hora, entre muitos pedaços de gelo flutuando em todas as cores de azul e branco. Passamos uma hora entre as águas tranqüilas e o glacier, para depois desembarcar na base e subir a colina. Sem vento e com sol a temperatura sobre a neve chegava a mais de 20 graus !! (de sensação térmica). Eu literalmente estava cozinhando dentro do casaco e tive que tirar algumas camadas de roupa para poder agüentar. Logo depois voltamos para o navio para uma tradição dessas viagens. O famoso "Polar Plunge", quando os passageiros e quem mais quiser caem na água gelada para comemorar a viagem, começou por volta das 11h30 e teve uma participação excelente, com mais de 20 passageiros malucos correndo para fora do barco pela gangway. Foi divertido e tiramos muitas fotos, principalmente para mostrar para eles no final da viagem o quão louco eles são.
Foto 15 Navegando em Skontorp Cove, Paradise.
Seguimos firme nos planos e logo após o almoço avistamos um grupo de orcas, já no estreito de Gerlache, atravessando para as Ilhas Melchior. Um macho grande e algumas fêmeas e juvenis. Mas não pareciam estar caçando. Apenas estavam por ali, navegando entre as ilhas.
Logo em seguida chegamos as ilhas Melchior, na parte externa de Gerlache e com o vasto mar de Bellingshausen a oeste. Melchior é um grupo de 4 ilhas cheias de canais congelados. Um verdadeiro labirinto e ideal para passeios de zodiac. Novamente 6 botes na água e zarpamos para vasculhar por vida marinha entre esses canais. Encontramos alguns deles completamente congelados e com dúzias de focas de Weddell sobre as placas de gelo, dormindo ao sol ou apenas ali descansando um pouco.
Foto 16 Focas no Gelo.
Um e outro pingüim sobre os icebergs da área foram avistados e mais adiante vimos uma jubarte curiosa que ficou nos rodeando por pelo menos 30 minutos, até perder o interesse e sair mergulhando para mar aberto. Foi um dia incrível, mas de mudanças. Logo no final da tarde o céu ficou cinza e nuvens carregadas de neve taparam por completo nossa vista de terra. Agora estamos rumando para o norte novamente, para as ilhas Shetlands e nosso objetivo amanhã é visitar Half Moon Island. Mas isso eu deixo para amanhã. Good Night.
Dia 8 ( 07/12/12) - Half Moon & Yankee Harbour + Orcas
O dia começou sem o "Wakeup Call" tradicional do Mariano. O cansaço da noite anterior tinha sido imenso e precisávamos de uma pausa. Mesmo assim, 7h30 eu já estava acordado e perfeitamente preparado para o dia cansativo que viria adiante. Desembarcamos em Half Moon logo após o café da manhã com um céu tímido cinza. Na madrugada tínhamos enfrentado uma nevasca de flocos grandes que cobria todo o navio. A ilha Half Moon fica a apenas algumas horas da estação chilena Frei onde está o aeroporto que usamos nas nossas operações e tínhamos bastante tempo para explorar a ilha que tem uma grande quantidade de pingüins Chinstrap (Pinguim de Barbicho). Eu abri a trilha até a parte sul da ilha e durante duas horas ficamos controlando o vai e vem dos passageiros e se divertindo com o vai e vem parecido dos pingüins. Na volta até deu tempo para descansar os pés na água fria e relaxante da praia.
Foto 17 Pé a areira, melhores férias impossível !
Voltamos para um almoço rápido pois logo em seguida o navio se movimentou para Yankee Harbour na ilha Greenwich. O local é um porto quase que natural, com um enorme glaciar na frente e uma colônia imensa de pingüins, mas que eu dispensei de visitar porque precisava instalar mais um dos sensores de temperatura na ponta de Yankee Harbour, que fica a mais ou menos uns 3 km do ponto de desembarque. Pulei do bote que ia para a praia bem na ponta desse porto natural e escalei os 2 metros de neve que separa a parte de cima da praia da linha d`água propriamente dita. Havia muita neve por ali e foi bastante difícil se movimentar, até que consegui chegar até um marco de ferro com um sinal náutico, instalei o sensor de temperatura e voltei caminhando sobre a neve fofa quase metade do caminho. Foi dureza pura !! e muita falta de inteligência. Afinal, esqueci que eu estava com as botas a prova d`água. Encontrei um caminho de foca na neve (feito por focas que sobem até a parte alta da praia para descansar na neve) e desci até a água, e daí em diante foi fácil fácil, pois só precisei andar dentro d`água (ou até a canela, pelo menos).
Foto 18 Instalando um equipemento em Yankee
Ainda tive que voltar uma parte com alguns turistas mas nada demais. Só fiquei um pouco sem fôlego. Passamos mais ou menos duas horas em Yankee e zarpamos rumo a base Frei (Chile) e eu ainda corri para preparar o concurso fotográfico, o qual eu seria o responsável essa noite. Mas, quando eu achava que ia dar tempo de fazer tudo, mesmo tendo ainda que tomar banho, aparece então uma família de orcas navegando na frente do navio. Mariano me chamou rapidamente e em menos de 2 minutos eu estava dentro do zodiac, correndo feito louco com 6 passageiros atrás de uma boa dúzia de orcas. Passamos uns 40 minutos por ali, navegando no meio do estreito de Bransfield - mar aberto com um swell considerável, e cheios de orcas ao redor. Voltamos para o navio em seguida e eu correndo de novo para colocar uma camisa social e gravata, para o coquetel de despedida e o concurso fotográfico (Ufa!). Mas até que deu tempo. Paramos em Frei por volta das 21 horas e ainda fiquei acordado até a meia-noite para poder enviar alguns emails. Daí cai exausto na cama para acordar as 6h00 do dia seguinte...ai ai ai ai ai.
Dia 9 (08/12/2012) - Frei Frei Frei
Nem deu tempo de respirar. Eu engoli alguma coisa no café enquanto Mariano passava as instruções e já desci a toda velocidade para a entrada do navio para transportar as bagagens dos passageiros até os botes. Foram 2 botes cheios de malas e eu agarrado a uma dúzia delas, junto com Mike, transportamos tudo para a praia onde o caminhão da empresa nos aguardava. O aeroporto de Frei é uma base militar chilena e estava com uma cobertura de neve maior que 2 m. Foi difícil passar com o caminhão, que mais parece um trator de guerra do que um carro, e eu estava com tanto sono que até tentei tirar uma soneca subindo a colina de neve, mas o carro é muito barulhento. Subimos com o veículo até a pista, uns 5 km adiante, largamos as malas e eu voltei descendo a pé pela neve.
Foto 19 Aguardando o tão ansioso vôo.
Embora esta parte do relato pareça rápida, tudo isso durou mais de 3 horas. No final da manhã, a faina que começou as 6h00 terminou as 11h30, com um Hércules C-130 da força aérea chilena pousando e pegando todos os passageiros. Como a pista de Frei estava congelada, o avião da Antarctica XXI não podia aterrissar. Só aviões militares de carga conseguiam fazer isso. Com muito esforço e coordenação, conseguimos colocar todos os passageiros dentro do avião e as 12h00 em ponto estávamos todos sentados a mesa tendo nosso almoço.
Agora são quase 3 hs da tarde e eu aqui vou publicar esse blog. Como não vieram passageiros no vôo, conseguimos pelo menos a tarde de hoje livre. A maioria dorme, e assim que eu terminar aqui vou dormir também. A próxima viagem vai demorar mais ou menos 5 dias, então, depois do dia 13 estou por aqui de volta.
Homem do gelo, história e fotos míticas, só faltam as sub. Sucesso aí na sua jornada. Abraços.
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