domingo, 30 de dezembro de 2012
- The End - e a saga de voltar de Neverland
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
A última Clássica Antártica (de Natal) CA3
Dia 24 (23/12/2012) - "Cai fora Stanford" e entra CA03
Existem momentos que eu penso, penso, penso e conto até 10. Isso normalmente é muito raro aqui na Antártica, mas dessa vez tive que contar muito. Este último grupo que saiu hoje, dia 23/12, foi o mais complicado em todos os anos de trabalho por aqui. Os passageiros eram tranquilos e amáveis, exceto por um grupo de 30 alunos de MBA em negócios da Universidade de Stanford, EUA. Arrogantes, estúpidos, grosseiros, infantis....acho que faltam linhas para definir as atitudes deles durante a viagem, com a maior falta de respeito pelos guias e pelos outros passageiros que viajavam juntos. Foi realmente um fato isolado, mas mesmo assim marcante. Não comentei antes simplesmente porque tentei deixar de lado qualquer preconceito, mas, não durou muito para que eu perdesse a paciência. O grupo da MBA estava fazendo a viagem para "estudar" impactos do Aquecimento Global (que por sinal eu acredito que não existe! e sim, uma mudança climática global) na economia. Porém, além das festas privadas e sem permissão, aprontaram muito, tanto em terra como no mar, muito além da arrogância típica de quem acredita apenas no próprio umbigo.
Por que eu estou escrevendo isso agora ? porque no dia de hoje foi a minha vez de andar na prancha. Eu tive que dar a palestra de "Mudanças Climáticas" e a atitude deles foi de agressividade total, salpicada de muita arrogância. Por um lado foi ótimo, pois a própria arrogância deles teve como consequência o sinal de reprovação do resto do grupo. De minha parte, ao contrário, fiquei bem tranquilo e minha atitude firme no defender das minhas idéias, baseado em tudo que aprendi até hoje, me garantiu uma posição ainda maior de respeito entre meus colegas, que me saudaram como um herói que ganha uma luta. Bem....página virada, foram embora, e agora eu tenho pela frente a última viagem minha, que com toda certeza será a mais tranquila de todas.
O dia de "Rock`n Roll" começou para mim as 6hs da manhã quando levantei para terminar de acertar o log da viagem e publicar no blog. Café da manhã tomado, parti para os finalmentes da minha apresentação, e pontualmente as 9h30 comecei. Infelizmente demorou mais do que eu gostaria e eu estava fechando tudo e correndo para colocar minhas roupas já por volta de 11hs da manhã. As malas dos passageiros já tinham partido e eu fiquei na função de taxi-boat para a praia. Depois segui com o grupo até metade do caminho e recebi os passageiros da Classica Antarctica 03 que estavam chegando. "Adios, amigos" foi a última coisa que falei para os poucos passageiros com quem fiz amizade nessa viagem: Um casal muito simpático de Brasilia, uma família da Flórida e uma outra família de indianos que vivem nos EUA. Também me despedi de Daniel, o montanhista da AXXI que estava saindo nessa viagem e sua esposa, Maria, que tinha se juntado a nós só nessa pernada. "Adiós, Daniel & Maria" - deixando muitas saudades.
Foto 1 Mike no bote No. 5 e eu no No. 6, prontos para Rock`n Roll.
Rock'n Roll time - passageiros, malas, vai e vem, vai e vem, e lá se foi a manhã rápida como um raio. Antes de sair pela última vez da praia em Frei ainda falei com o atual sub-chefe da estação brasileira Com. Ferraz, que estava na praia com mais alguns militares do navio de apoio submarinista "Felinto Perry", que estava em missão na Antártica para resgatar o barco afundado no ano passado de um brasileiro, o "Mar Sem Fim".
Zarpamos com pressa de Frei, e começamos a cruzar o estreito de Bransfield, rumo ao sul, rumo a um lindo fim de tarde entre nuvens pesadas do lado de fora da península, e um céu azul claro com tons de rosa do lado de dentro.
Foto 2. Panorama de Bransfield. Céu fechado à direita, por causa do Drake, e aberto na Peninsula, à esquerda.
Dia 25 (24/12/2012) - Feliz Natal Ocean Nova [Foyn Harbour & Curverville]
Acordamos cedinho como sempre nas imediações de Foyn Harbour nas ilhas Enterprise, e também com a sorte do nosso lado. O céu estava maravilhosamente azul e apenas sobre a calota de gelo no continente, cerca de uns 50 km de onde estávamos, podiamos ver uma cobertura de nuvens fluindo rápido. Foi engraçado pois alguns dias antes eu tinha colocado uma meia na porta, com pedidos para Papai Noel, e acordei com a minha meia cheia de chocolate. Obrigado Santa Dolores de Bariloche hahaha. Foyn harbour ainda estava coberta com bastante neve e conseguiamos ver apenas algumas das ilhas. Como era Natal, mudamos o visual e todos os pilotos de zodiac vestiam chapéu de Papai Noel. Tinhamos 67 passageiros a bordo e um bote avariado, da última vez que andamos em Paradise Bay, por isso, tinhamos que nos virar sem staff algum no bote. Eu carreguei 11 passageiros e parti para o meio das ilhas em busca de alguma coisa para ver. Demorou um bom tanto até avistarmos apenas um par de petréis gigantes sobre o gelo. Nenhuma foca e pouquíssimos pinguins. Andamos pelo meio das ilhas até chegar no naufrágio do barco baleeiro que está por ali encalhado desde o início do século 20 (se não me engano foi em 1916). Depositei mais um sensor e continuamos nosso cruzeiro, passando por pedaços de gelo cada vez maiores até encontrar grandes icebergs do outro lado da ilha. Fiquei surpreso com a parte mais rasa, com águas claríssimas e cheias de algas. Encontramos ali uma mancha enorme de krill - os pequenos animais como camarões, principal item alimentar das baleias, pinguins e algumas focas. Eu imaginava encontrar krill somente em lugares de mar aberto mas ali, com menos de 1 m de profundiade, verdadeiros enxames de krill nadavam entre as algas e pedras, relativamente protegidos de seus predadores.
Foto 3. Foyn Harbour e o naufrágio mágico
Voltamos para o navio para o almoço e logo nos movimentamos para a baia Willhelmina, onde pretendiamos encontrar o navio Akademik "Vavilov" (é assim que se pronuncia mas na verdade está escrito como "Bavilob"), que faria a carga de comida para o nosso barco e retiraria o lixo acumulado até agora. Porém, entramos por um lado da baia que ainda estava congelado e essa fina camada de gelo, mais a presença firme de icebergs grandes que travaram nossa passagem e acabamos por nos atrasar com o outro navio. Mariano acionou o plano B e eu entrei em cena - palestra sobre Mudanças Climáticas a bordo enquanto o resto da equipe ficava no vai e vem constante entre os dois barcos, trazendo comida e combustível, e levando lixo. Trabalho duríssimo ! que terminamos por volta das 16h30, muito além do tempo que prevíamos. Pelo menos foi compensado com chocolate quente no final, tomado no deck 5 do lado de fora, ao sabor do vento frio.
Foto 4. Fim de tarde em Curverville Island
Com isso tivemos que mudar completamente os planos e tocamos rapidamente para Cuverville, para um desembarque pós janta. E foi exatamente o que aconteceu. Tocamos os pés na ilha cheia de pinguins gentoo por volta das 8h30 da noite, ainda com sol, e meu termômetro marcando 13 graus. Uns 20 minutos depois o sol se pôs atrás da montanha que fica na borda do canal Herrera e entramos na sombra, fazendo a temperatura cair para apenas 3 graus. Impressionante ! Ainda assim curtimos o visual com cores diferentes na pinguineira e voltamos depois para o navio para descansar e finalmente dormir. Tentei falar com minha filha Mariana mas nada de conseguir ligação do satélite. Que ruim ! mas pelo menos conversei com a minha mãe.Feliz Natal...e nada de festa. Eu estava extremamente cansado para isso.
Foto 5. Feliz Natal Ocean Nova - e o Doutor Sérgio fazendo a festa
Dia 26 (25/12/2012) - Lemaire + Yalours Islands and Churrasco de Natal + Verdnasky e Wordy House
Navegamos a noite toda para chegarmos de manhã cedo na entrada do Canal de Lemaire, o que ocorreu por volta das 6hs da manhã, sob uma névoa espessa e muito gelo dentro do canal, dificultando bastante nossa navegação, mas ainda assim, uma experiência inesquecível para os passageiros. Eu desci para o café da manhã e tivemos nossa reunião habitual, onde definimos o próximo objetivo que eram as ilhas Yalours. Navegamos desde as 9hs da manhã entre canais estreitos de Yalours, entre pinguins adélie, cormorants e focas, para desembarcar rapidamente em uma das ilhas e ver de perto os pinguins e filhotes. Bem legal ! eu não conhecia esse pedaço e aproveitei bastante por ali. Como eu adoro pilotar bote, para mim foi meu presente de Natal.
Foto 6. Yalour Islands - acordei cedo só para pilotar o bote
Voltamos ao barco para um almoço-churrasco de Natal. Divertidíssimo ! além de tradicional, ainda rumamos en menos de uma hora para a frente da estação Verdnasky, onde tivemos que dividir o grupo em 3 partes pois a estação só comportava 20 pessoas. Fiquei de taxi-boat levando e trazendo passageiros para a estação e a ilha onde tem a casa de Wordy, para uma caminhada. Entre esses pit-stops eu ainda consegui apostar uma corrida de bote com Mike, que ganhou de mim por apenas alguns centímetros (Damm !). Depois de fazer umas 10 viagens, desci para Wordy e fui encontrar Sandra na porta da casinha que serve como museu. Ela estava visivelmente cansada, acho que do estress de coordenar a programação do barco nessa viagem, além do trabalho do dia a dia. Mas tudo bem - cabeça fresca e rir muito são bons remédios. Ajudei um pouco e logo fechamos a área para trazer os passageiros para Verdnasky. Foi realmente um vai e vem, que só terminou as 17h30. Voltei, tomei uma ducha, e cai na cama. Achei melhor matar a janta de natal para me recuperar e dormi por uma hora mais ou menos, o suficiente para me refazer para a festinha de natal no quarto de Ben e Pernille. Grácias Carlito - pelo presente: um boné verde do Ocean Nova. Eu já tinha dado os elefantes de tecido para meus amigos antárticos e agora só nos restava descansar. A noite ainda tivemos no bar o famoso "Antarctic Xmas Quiz" e a noite foi terminar sob música só lá pelas 3hs da manhã.
Foto 7. O famoso Churrasco Antártico
Dia 27 (26/12/2012) - Paradise Bay + Mergulho Gelado e Danco Island
Paradise Bay é um lugar mágico mesmo. O dia amanheceu tranquilo e com poucas nuvens no céu. Silencioso, o glacier Skontorp descansava estático na sua posição, mas ainda assim perigosa. As paredes de gelo se projetavam para frente meio que desafiando a força da gravidade. Zarpamos as 9hs para um cruzeiro na frente do glacier com o próprio navio, o que nos facilitou muito a vida. Desembarcamos logo em seguida em Brow Station, a base argentina ainda fechada, mas com os pinguins na volta em plena atividade. A caminhada até o topo da montanha foi espetacular. O sol expulsou as últimas nuvens e brilhou firme no céu azul. Fazia tempo que eu não subia até o topo da montanha, para sentir aquela paz e o sossego característico do topo das montanhas.
Foto 9. No topo de Paradise bay
A descida foi fazendo um tradicional sky-bunda pela rampa de gelo, e logo em seguida eu estava ali na praia ajudando os turistas a subirem nos botes e partirem para o navio. Tudo ia bem até que Mariano disse no último bote: "Andre, agora só voltamos para o navio depois que vc nadar !". Bem...eu já estava esperando isso. Como era minha última viagem eu já estava preparado para cair na água em algum momento. Só não sabia quando. Tirei a roupa pesada e fiquei só com a primeira camada - short e uma blusa fina. Esperei o doutor Sérgio (que também está partindo comigo no próximo vôo) e pulamos na água geladíssima da baía Paraíso, meio que fedendo a krill ou a cocô de pinguim. Porém o cheiro desaparece no mesmo instante que seu cérebro descobre a fria que seu corpo está entrando. urra ! (e milhões de palavrões em chileno e português), saímos da água alguns segundos depois que entramos. Voltamos rápido para o navio e eu ganhei uma ducha quente. Que delícia.
Foto 10. Na praia congelada de Danco Island.
A tarde, logo depois do almoço, descemos em Danco Island, uma ilha enorme com um platô bem definido bem no meio do Canal Herrera, com uma pinguineira de gentoos bem barulhenta. Eu segui a trilha principal com Loli e Mike, e depois de uns 20 minutos lutando contra a neve da subida chegamos ao platô da ilha, com uma visão de 360 graus ai redor. Maravilhoso ! Um pouco de sol, o suficiente para aquecer a pele, e muita neve ainda, o suficiente para tornar a caminhada bastante difícil. Tomei meu tempo no platô e só comecei a descer uma meia hora antes de partirmos. Descida tranquila, até deu para fazer outro ski-bunda na neve. Vimos ainda alguns icebergs, uma minke xereta que passou bem perto da praia e várias focas de Weddell. Voltamos para o barco depois de mais de duas horas em terra, com um magnífico jantar (Mahi-Mahi - um peixe do pacífico) e a palestra de Mike sobre a experiência dele a bordo de um Yatch, rastreando baleias.
Foto 11. Por do Sol no estreito de Bransfield
E o dia terminou com um pôr de sol magnífico no estreito de Bransfield. Fiquei até pelo menos meia-noite no deck 5, do lado de fora, mesmo com o frio, pois as cores do céu em contraste com as montanhas ao longe estavam simplesmente magníficas. Ainda fiquei meio acordado meio sonolento na cama até 3hs da manhã. Eu sabia que isso ia me custar um pouco de fôlego no dia seguinte, mas simplesmente não consigo controlar meu sono, se ele vem ou se ele vai.
Dia 28 (27/12/2012) - Deception island & Half Moon
Acordei as 6hs da manhã, ainda cansado de uma noite mal dormida. Mas vale tudo por aqui, e sei que tenho o ano todo para dormir bem e quem sabe até passar o dia todo na cama. Então o melhor é aproveitar o tempo que tenho, dormir o suficiente, comer o suficiente. Desde o dia 23 de dezembro também estou sem tomar nada alcólico. Nenhuma promessa...apenas decidi não tomar nada. O mesmo com a comida - tenho diminuido a quantidade sem passar fome, e a folga no cinto da calça só tem aumentado.
Aqui em Deception nosso destino era Telephon Bay, no fundo da ilha, dessa vez sem gelo. Caminhamos por uma hora e meia até a borda da cratera que se formou ali na última erupção, em 1969-70. Lugar inóspito mas incrivelmente belo, mesmo em duas cores - o preto das rochas e o branco da neve se misturando. Na volta, fizemos o tradicional "Polar Plunge" e como é meu último dia na Antártica, decidi entrar na água também. Gelaaaaada mas refrescante para a alma. Foi divertido, isso que importa.
Foto 12. Polar Plunge em Deception. Foto de Sandra Walser.
Voltei para o barco correndo para tomar um banho quente e logo depois uma soneca básica. Essa última semana tinha acabado comigo. Logo no início da tarde, partimos para o último desembarque, em Half Moon, já com o pé em Frei. O tempo estava cinza e o teto super baixo, com nuvens escuras e pesadas, mas mesmo assim não caiu um floco sequer de neve. Half Moon foi super tranquilo, desembarque mais do que normal, sem grandes sustos. Eu voltei no primeiro bote ainda para terminar meus afazeres aqui, e me preparar para o momento mais difícil de todos - arrumar minhas malas.
Foto 13. Controlando o trânsito em Half Moon. Foto de Sandra Walser.
Agora, navegamos tranquilamente para Frei e logo mais a noite estaremos chegando por ali, para aguardar o vôo pela manhã. Sei que será uma noite de despedidas, e sei que terei que aguentar bem isso. O coração bate mais forte quando penso em deixar Neverland. Difícil explicar essa sensação, mas imagino como se sentem os pinguins, focas e baleias, que sabem que tem que partir de qualquer forma pois é impossível morar aqui no inverno rigoroso, mas acho que talvez eles vão tranquilos para o norte, sabendo que voltarão no ano seguinte. Então....até amanhã...até o vôo.
domingo, 23 de dezembro de 2012
Heroica Antarctica 02
Dia 19 (18/12/2012) - Rock`n Roll Day - troca de passageiros
7h00 da manhã eu já estava de pé e pronto para a luta. Rock`n Roll day ! No café da manhã Mariano passou as instruções e eu zarpei logo no segundo bote de bagagem, passando bem pertinho do navio "Almirante Maximiliano", da Marinha do Brasil, que também iria fazer descarga de material e pessoal. Na praia alguns brazucas aguardavam o bote deles - engraçado, não senti saudades alguma dos tempos do PROANTAR. Hoje vejo a operação de troca de passageiros cansativa, mas não complicada. Trabalhamos super bem nisso. Mas quando vejo que o PROANTAR ainda usa o mesmo método de sempre (bote, passageiros, carga, andainas, caminhar na pista, aguardar o vôo, etc etc etc), realmente não sinto saudades desse tempo.
Foto 1 Grupo novo chegando no BAE, na área Charlie.
Descarregamos as malas na van e fui para a área Charlie, onde o avião estaciona para desembarque de passageiros, e logo na chegada já avistamos o hércules brasileiro sobrevoando a ilha. Aparentemente eles iriam desembarcar primeiro. Acompanhei a descida do avião e ao longe, vimos o nosso avião, um jato BAE inglês, se aproximando da ilha pelo outro lado. Ia ser apertado. Mal o Hércules brasileiro estava entrando na área Charlie, o BAE estava em descida para pouso. O intervalo entre os aviões foi de menos de 5 minutos. A turma que desembarcou era bem diferente do que tinhamos experimentado nesses últimos dias. Um grupo grande de Stanford (MBA em negócios) com mais de 25 pessoas, uma mistura de casais europeus e americanos, um casal de brasileiros e uma familia inglesa. Todos bem comportados. Em menos de meia hora começamos o vai e vem de passageiros e carga, e dessa vez eu acabei ficando ao lado do avião para ajudar com os chineses que estavam partindo e bagagem que estava chegando. Fui aportar no navio mais de duas horas depois, bastante cansado de carregar malas. Pegamos ainda o final do almoço e depois disso fui tirar uma soneca básica.
Essa viagem tem a denominação de Heroica Antarctica 02 porque vamos fazer a rota dos tempos heróicos atravessando pelo Antarctic Sound na ponta da Península para dentro do mar de Weddell, se as condições de gelo permitirem. Apesar do 02 no nome, esta era a primeira vez na temporada que a AXXI estava fazendo essa rota, já que a HA01 tinha sido cancelada exatamente pelas condições de gelo no mar de Weddell. Não tinhamos muita esperança de entrar tão a fundo por ali. Começamos imediatamente a travessia do estreito de Bransfield, entre a ilha Rei George e a península e o navio começou a rolar um pouco, apenas um pouco, mas o suficiente para colocar a nocaute metade dos passageiros. A tarde foi tranquila até demais e a janta praticamente vazia. Tivemos o coquetel de boas vindas com apenas meia duzia de sobreviventes, e assim começamos o dia 01 da HA02-Rock`n Roll.
Foto 2 Visão multicolorida de Antarctic Sound com a lua se pondo no horizonte.
Lá pelas 22hs já estavamos entrando nas imediações da ponta da península, e vários icebergs gigantes começaram a aparecer. Esses icebergs vem de dentro do Mar de Weddell e são capturados pela corrente contrária que passa pelo gap entre a península e a Ilha Joenville. O sol estava se pondo maravilhosamente laranja, sob um céu azul profundo e começaram a aparecer as primeiras almas reestabelecidas, já que o balanço do navio praticamente parou quando chegamos mais perto da península. Mais e mais icebergs apareciam e o cenário foi ficando multicolorido, cheio de gelo, pedaços de mar congelado, blogos imensos como prédios, o céu alaranjado atrás dos glaciares e zero de vento. Fui dormir a 1 h da manhã e o meu dia iria começar bem cedo, mas valeu a pena ficar acordado e acompanhar esse espetáculo.
Dia 20 (19/12/2012) - Rota Heroica - Antarctic Sound e a ponta da Peninsula
Quando Mariano entrou no sistema de som para dar o Bom Dia Ocean Nova as 5h30 da manhã, eu já estava acordado, no Panorama Lounge e tomando um café quente e comendo um croassaint. Nosso destino era Brown Bluff, uma praia encravada no meio de uma geleira, com mais ou menos 100.000 pares de pinguins Adélie, barulhentos e ativos. Na praia não tinhamos muito espaço e tinhamos que ter o maior cuidado para andar por ali e não perturbar a paz dos pinguins, se bem que a barulheira da colônia não pode ser definida exatamente como um lugar silencioso. Ficamos das 6hs as 8hs por ali, entre pinguins, alguns gentoos e milhares de adélies, andando de um lado para outro na praia. A manhã estava fria, e o mar tinha uma fina camada de gelo formado durante a noite. Vento absolutamente zero e céu azul com sol. Convidativo demais e irresistivel para alguns. Primeiro foi um russo que tirou a roupa e se atirou na água gelada da praia, seguido por mais uma boa meia dúzia. Fiquei com inveja, mas eu estava trabalhando e não dava para entrar na água naquele momento.
Foto 3 Pinguins na praia de Brown Bluff.
Voltamos para o barco para um longo e quente café da manhã, seguido de uma palestra de Daniel sobre a Antártica, enquanto o navio rumava para leste, até encontrar pedaços bastante grandes de pack ice, o mar congelado do último inverno que se quebrava em placas enormes derivando nas águas de Antarctic Sound. Esperávamos encontrar pinguins e focas, mas na verdade só viamos gelo e mais gelo a perder de vista. Ficamos na área procurando sinais de vida polar por mais ou menos duas horas, até que chegamos a um ponto onde começou a ficar perigoso avançar mais com o navio, correndo o risco de ficar preso no meio do gelo. Ninguém ali queria dar uma de Shackelton. Demos meia volta e rumamos para oeste novamente, para a ponta da Península, onde nosso objetivo era entrar na Ilha Gourdin, a terra perdida dos pinguins.
Foto 4 Gelo marinho a leste de Antarctic Sound.
O cenário era no mínimo de filme. Um recife de rochas vulcânicas alto formou canais ao redor da ilha e cada pedaço de pedra, mesmo que mínima estava coberto com uma camada grossa de mais de um metro de neve. Como a maré alí sibre mais de 2 metros, haviam várias cavidades por baixo da camada de gelo e neve, e que com a baixamar que estávamos, formavam espaços estranhos entre o mar, a rocha e a neve por cima. E sobre a ilha, centenas de milhares de pinguins adélie, gentoo e chinstrap, todos absolutamente juntos. Não havia organização aparente, e parecia que eu estava entrando em uma estação de trem cheio de gente de paletó (os pinguins), correndo de um lado para o outro. Essa era literalmente a terra dos pinguins. Foi muito difícil achar um caminho seguro (para os pinguins), entre os ninhos que simplesmente se multiplicavam entre cada pedaço de rocha exposta. Incrível ! Passamos mais ou menos duas horas naquela ilha maluca. Eu ainda andei até o outro lado da ilha, onde uma geleira enorma desemboca suavemente no mar. Mesmo assim, o ponto mais alto da ilha e ainda assim, cheio de pinguins.
Foto 5 A Terra dos Pinguins em Gourdin Island.
Voltamos para o navio no final do dia, cansados mas bastante satisfeitos com mais uma visita em um lugar espetacular como esse. Hora de dormir - sonhando com essa imensidão branca e os milhares de pinguins. Estávamos rumando sul para Cierva Cove, na parte central da península.
Dia 21 (20/12/2012) - Cierva Cove, Portal Point e Churrasco
Acordei bem pela manhã, disposto e com vontade de sair do barco para passear um pouco. Na verdade, acordei meia hora mais cedo do que o Wakeup Call do Mariano e fui circular pelo navio. Nossa programação da manhã incluia um passeio de zodiac pela baia Cierva, a meio caminho entre a ponta da península e o sul. E foi o que ocorreu. As 9hs eu já estava pulando dentro de um bote e partindo com 10 passageiros para o interior da baia completamente congelada. O mar estava qualhado de pedaços pequenos de gelo e isso fez com que andássemos bem devagar. Circulei por mais de uma hora para dentro da baia sem ver um único animal. Só na volta, quase 11hs da tarde, é que encontramos uma foca adormecida sobre uma placa de gelo. Foi o único ponto alto do passeio. Voltamos ao barco para o almoço, já navegando rumo sul para Portal Point. Eu aproveitei que estava vestido com roupas quentes e fiquei ainda um pouco do lado de fora, curtindo a vista, o sol, e a imensidão do estreito de Gerlache.
Foto 6 Foca preguiçosa em Cierva Cove.
Incrivel ! tenho a tarde livre e nem sei muito bem o que fazer. Mariano instituiu um "Free Time" para cada um de nós, de tempos em tempos. Dormi um pouco depois do almoço e depois fui tomar sol enquanto o navio silencioso ficou fundeado na frente de Portal Point. Ao longe eu via a fila de turistas subindo o glacier. Aproveitei para escrever um pouco e ainda tomei um chocolate quente, pois embora agradável, o vento frio dava a opção de tomar algo quente.
Foto 7 Tarde livre em Portal Point.
Lá pelas 5 hs da tarde os passageiros começaram a retornar, principalmente porque o vento estava quebrando todo o gelo marinho do fundo da baia e espalhando várias peças por volta do navio. Estava ficando cada vez mais complicado de fazer o translado de bote da praia para o navio e rapidamente todos estavam a bordo antes que ficasse perigoso demais. Eu via o movimento só do navio, já que ainda estava dentro do meu Free Time. Lá pelas 5 hs da tarde começou o vai e vem dos botes e eu já estava devidamente vestido e aparatado para o churrasco. É o nosso dia de vestir livremente roupas que não sejam nosso uniforme de trabalho. Difícil, pois eu não tenho muito mais coisa na minha mala. Sol e mais sol, um pouco de vento mas pouco, e muito gelo ao redor do navio. E não é que apareceu uma foca xereta tentando chegar perto do navio ?! perto até demais pois ela literalmente "cheirava" o casco. Maluca !
Zarpamos dali as 19 hs e mal começamor a navegar, avisamos duas baleias jubartes comendo krill, abrindo as grandes bocas e dando verdadeiras golfadas com água cheia de krill. Chegamos perto, mais perto, pertíssimo, perto demais ! e desligamos o motor, e não é que as duas baleias xeretas ficaram investigando o navio ? Uma delas chegou a querer empurrar casco do barco, de tamanha curiosidade. Não preciso nem dizer quantas fotos foram tiradas ali: milhares ! A coisa que eu mais ouvia era o barulho do disparo das cameras. Ficamos por ali olhando esse hábito estranho por mais de uma hora, mas o tempo começou a ficar apertado e tocamos adiante, deixando as baleias para trás. Maginífico.
Foto 8 Foca intrusa no churrasco.
A noite ainda teve o Quiz do Ben Jackson e do Doutor Sérgio, junto com uma festa meio fantasia, ou seja, estilo praia. Vesti minha bermuda xadrez, uma camiseta laranja, e parti para a festa. Fui dormir lá pelas 1h30 da manhã, mas sei que o festerê rolou até umas 4 hs. Haja fôlego !
Dia 22 (21/12/2012) - Neko harbour, Polar Plunge e Gordon Point
Acordamos em Neko no horário de sempre: 7h30. Café completo tomado e preparado para dirigir. Minha função hoje pela manhã era de taxi-boat, coisa que eu adoro fazer.Fizemos a foto do grupo logo que chegamos na praia e dai foi subir e descer a geleira ao redor da pinguineira de Neko Harbour sob um céu azul profundo e temperaturas bem acima de zero. Meu termometro marcou 26 graus junto ao meu corpo, mas as medidas longe de qualquer fonte de calor mostravam que o ar estava quente - de 6 a 11 graus. Para variar o grupo de garotões de Stanford abusou um pouco. 3 deles simplesmente tiraram a roupa no topo da geleira, só para posar nú para uma foto e colocar no facebook (para a alegria das meninas). Tem gosto prá tudo ! Descemos depois de duas horas e fomos direto para o Polar Plunge - a atividade mais concorrida da viagem antártica. Tivemos mais ou menos uns 45 mergulhadores malucos caindo na água dessa vez. Foi divertido - e gelado. Eu trabalhei como de costume na linha salva-vidas, ficando mais molhado do que seco com o vai e vem de turistas ensopados.
Foto 9 Eu, Sandra e Carlos em Neko Harbour.
O almoço foi curto e mal eu tomei meu cafezinho pós comida, já estava me arrumando para mais um desembarque. Nosso ponto era George Point, na Ilha Rongé. Lugar maravilhoso - amplo espaço, vários pinguins e uma caminhada excelente pelo glaciar. Incrível !A vista é magnífica e deu para curtir um bom par de horas sob o sol quente antártico, um vento persistente mais geladinho e o céu azul. No horizonte já haviam algumas nuvens, mas no geral, o tempo estava absurdamente incrível.
E foi assim que terminou mais uma viagem pela península. Rumamos para Deception a baixa velocidade pois nosso compromisso ali seria apenas de manhã cedo. Lindo final de dia em Gerlache, navegando entrea península e as ilhas, em uma mistura de branco da neve, azul do céu, azul profundo do mar e o preto das rochas expostas, apesar de poucas.
Dia 23 (22/12/2012) - Deception Island e Half Moon Island
Quando Mariano acordou o navio as 7h00 da manhã eu já estava de pé, montando minha câmera do lado de fora do deck 5, para filmar a entrada do navio na ilha Deception. O mar estava super calmo e sem vento, e mais uma vez o céu estava limpo e com sol. Desembarcamos na ilha Deception as 9 hs da manhã e praticamente todo o grupo seguiu para a face sudeste de ilha, na parede interna do vulcão, onde o visual é maravilhoso. Caminhamos por mais ou menos uma hora, e o tempo começou a mudar levemente. Nuvens mais pesadas apareceram no horizonte e um ventinho gelado subia as paredes externas da ilha e nos esfriava um pouco. Mesmo assim, foi uma caminhada super tranquila e cheia de visual. Deception tem uma magia especial, por ser um vulcão talvez, ou pela paisagem quase que de um outro planeta. Um pouco antes de encerrarmos o passeio, apareceu um pequenino veleiro entrando pela abertura da ilha. Fui ao encontro deles com o meu bote e descobri que eram 4 australianos e uma inglesa que tinham acabado de atravessar o estreito de Drake. Estavam entrando em Deception para descansar da travessia dura de 5 dias.
Foto 10 Paredão de Deception. Vista magnífica.
Então veio o almoço e o navio se movimentou de Deception para a ilha ao lado, Livingston. Na verdade, desembarcamos as 15 hs em uma pequena ilhota na enseada leste chamada Meia Lua, ou Half Moon, já conhecido nosso de outras viagens. Desembarque tranquilo de 2 horas, minha função foi de controlar o tráfego de passageiros próximo a principal highway de pinguins, na metade da ilha. Sem muito esfoço, aproveitei o momento para relaxar e observar os pinguins, alguns, curiosos, chegavam até quase o meu pé. Outra coisa incrível é também a mudança na neve. Fazia menos de uma semana que haviamos estad ali e a cobertura de neve tinha diminuido pela metade. Provavelmente na próxima vez já veriamos filhotes nos ninhos e quase mais nada de neve. E é assim que funciona tudo por aqui, rápido e dinâmico.
Voltamos para o navio as 5h30 e tive apenas poucos minutos para um banho e trocar de roupa. Iniciamos as festividades de despedida do grupo enquanto o navio se reposicionava na frente da estação chilena na baia Fildes. Eram 22 hs quando meu celular vibrou e captei o primeiro sinal de civilização. Mas já era tarde e ainda estava rolando a festa de despedida. Fui dormir tarde, mas com a missão de logo cedo pela manhã atualizar esse diário.
E agora...6hs da manhã do dia 23/12, estou aqui terminando essas linhas. Já sei que haverá vôo e mais uma vez zarpamos para o sul, para a minha última pernada de viagem, meu Natal fora de casa e meus últimos dias em Neverland. Então...até daqui a 5 dias.
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
"Chinese" Classica Antarctica 03
Dia 15 (14/12/2012) - ...aguardando ainda em Frei e troca de passageiros
Minha última entrada nesse diário tinha sido logo depois do café da manhã sem saber muito bem o que iria acontecer, mas dai veio a notícia de que haveria vôo logo depois do almoço. A parte da manhã foi preenchida de trabalho com palestras, filmes, e um vem e vai de gente querendo usar a internet e telefone para acertar suas respectivas passagens para fora da "Neverland" Antártica. Engraçado esse nervosismo todo. Sei que muitos tem compromissos, mas acho meio falta de planejamento marcar vôos tão em cima das datas de sair daqui. Afinal, o tempo muda de uma hora para outra e ficar preso por aqui é algo bastante simples.
Logo depois do almoço começamos juntar todas as bagagens e zarpamos em dois botes para a praia, para desembarque de carga. Eu, Daniel e Mike em um bote, Joho, Ben e um marinheiro do navio em outro. Na praia, muito esforço para carregar nosso transporte, com mais ou menos uma tonelada de carga. Dai subimos para a pista com alguns passageiros mais idosos e com dificuldade de caminhar e o resto do grupo subiria com os outros guias.
Foto 1 Voo BAE da DAP trazendo os novos turistas.
Demorou mais ou menos duas horas até que o vôo chegasse e pousasse perto de nós, quase tudo pronto, tranquilo, calmo...mas de repente veio a avalanche. Um verdadeiro tsunami de chineses desembarcando, ruidosos, barulhentos e sem entender uma única palavra em inglês. Esse era o grupo da Clássica Antártica 03 - 61 chineses e um casal chileno (que trabalha na China). Foi um verdadeiro sufoco mas conseguimos juntar todos em um canto. Dessa vez o problema era que a pista não podia ser cruzada a pé. Portanto, precisamos fazer pelo menos 4 viagens com a nossa van de transporte mais um outro caminhão para trazer todos os passageiros (e levar os novos) para fora da área de estacionamento do avião, que nada mais é do que um espaço a céu aberto com neve por todos os lados.
A despedida do grupo que ia embora até que foi emocionante. Adeus, abraços, beijos....é bom sentir esse carinho quando um grupo vai embora porque significa que gostaram e que tive um papel importante na vida deles durante a viagem. É realmente reconfortante.
Embarcamos depois de meia hora com os botes ao navio e zarpamos imediatamente para o sul, para cruzar o estreito de Bransfield. O resto da noite veio com jantar e coquetel de boas vindas, que na verdade se transformou em uma verdadeira zona ruidosa mais uma vez porque os chineses tinham bebido "todas" e estavam muito felizes. A única coisa que conseguiamos falar, nós guias, era o nome e de onde eramos. O resto era só gritaria. Coloquei música de discoteca (Macarena) no computador e fui dormir, mas soube depois que o dancing club Ocean Nova funcionou até as 2 horas da manhã.
Dia 16 (15/12/2012) - Mid Trip ! Orne Island e Port Lockeroy + Lemaire a noite.
Acordei bem hoje, com fome de um bom café da manhã mas sinceramente querendo aproveitar meu café sozinho. Mal entrei no salão de jantar e meus ouvidos já estavam zunindo com a barulheira que os chineses estavam fazendo. Encontrei o esperto Doutor Sérgio saindo e aprendi com ele - amanhã vou acordar mais cedo e tomar meu café antes de todos. Hoje é Mid Trip para mim, e por tradição vou fazer a barba a noite.
Foto 2. Antes, durante e depois de fazer a barba.
O desembarque em Orne Island foi conturbado. Descemos as 10h30 com o ruidoso grupo de turistas chineses e foi preciso muita paciência para controlar todos. Foram mais ou menos 1h30 de caminhada e um tanto estressante, mas ao final todos se salvaram. Abrimos o gift shop logo depois do almoço e eu aproveitei essa uma hora e pouco para tirar uma rápida soneca. Valeu a pena.
Foto 3 Iceberg com um furo e o navio atrás.
E então, veio o tão esperado momento - Port Lockeroy. A base A inglesa da década de 50 ainda original e super bem preservada contém um museu e um pequeno shoping de lembranças (estupidamente caras !) dos ingleses. Florence, Ben, Flo e Kath cuidam do local e vivem por 6 meses espartanamente em uma ilha pouco maior que um campo de futebol, tendo como vizinhos uma boa centena de pinguins gentoos. A ilha fica em uma enseada abrigada com um glacier ao fundo, e uma das pontas de rocha exposta onde outra pinguineira gigante de gentoos é instalada todos os anos. Esta ponta chama-se Jugla Point e protege Alice Creek, um porto natural para veleiros que passam por ali, mas que agora estava vazio e tomado de gelo marinho. Mas é um local que eu tenho um carinho muito especial e onde eu gostaria seguramente de passar o inverno.
Fui designado para Jugla com Pernile, Joho e Rodrigo Tapia, novo integrante do grupo que chegou agora, e passamos uma hora e meia por ali com mais ou menos 35 turistas. Logo depois atravessei de bote para a ilhota de Port Lockeroy e falei rapidamente com o pessoal de terra. Tirei várias fotos para os amigos e vi uns livros interessantes. Quem sabe da próxima vez a gente fica mais tempo por ali.
Foto 4 A bela e doce Port Lockeroy.
Voltamos para o barco debaixo de um vento frio e forte anunciando uma nevasca que veio com força por volta da hora da janta. Nosso objetivo era cruzar o canal de Lemaire e foi o que fizemos, mas era impossível enxergar mais de 10 m além da proa do barco. Paramos logo na saida do canal de Lemaire, em Plenneau Bay, e ancoramos. Fiquei no bar até umas 11 hs jogando conversa fora com os meus colegas e fui dormir...cansado, mas de certa forma feliz. Afinal, hoje é Mid Trip para mim :)
Dia 17 (16/12/2012) - Paradise Bay e Ohrne Harbour
São 6h00 da manhã. Nem deixei o despertador tocar duas vezes, mas ainda demorei enrolando um pouco na cama. Eu aproveitei a data marcante de Mid Trip para "tentar" entrar nos eixos, aproveitando o embalo de diminuir a comida, que eu já estava executando a uma semana. Na primeira semana eu comi demais aqui e acho que engordei muito. Então, a solução era fechar mais a boca. Por outro lado, apesar de estafante, o esforço que fazemos durante os desembarques não pode ser considerado exerçício físico. Então, hoje eu comecei a remar por 15 minutos. Calma ! não é remar no mar gelado (se bem que eu adoraria), e sim em uma máquina no ginásio do navio.
Logo depois subi para o Panorama Lounge, o nosso "bar" e salão de convivência, e para minha surpresa mais da metade do navio estava acordada. O navio coloca croassaints e paezinhos doces com café e chá, o chamado "Early Bird" na mesa do salão, e eu vim caçar comida. Mas já tinha tudo praticamente desaparecido da mesa. Consegui me safar com um pão doce e chocoexpresso.
Foto 5 Dirigindo e cruzeirando entre as paredes geladas de Skontorp..
Foto 6 Eu coberto de neve.
O tempo estava muito ruim com neve e vento em Paradise Bay, mas mesmo assim descemos os botes e peguei um grupo de 10 chineses rumo a Skontorp, o maior glacier da área. Sandra me seguiu e em dupla exploramos o fundo da cova de Skontorp onde alguns veleiros costumam parar para fundear e descansar. A cova estava vazia, mas com algumas peças de gelo flutuando. Em uma delas encontramos duas focas caranguejeiras e meia dúzia de pinguins. Com a neve e o vento, o glaciar Skontorp estava silencioso. Na volta, navegando rápido em direção a base Almirante Brown (em Paradise), fiquei todo coberto de neve e o frio não dava trégua. A única coisa que me deixava confortável era o nível de adrenalina alto no sangue, resultado de navegar rápido com o zodiac. Fizemos uma parada rápida na base vazia (e cheia de pinguins) e os turistas aproveitaram para descer de esqui-bunda uma rampa de gelo que tem por ali. Eu não via a hora de voltar a bordo, o que aconteceu as 10h30 para desfrutar de um Brunch (Breakfast + Lunch). Até deu tempo de tirar uma rápida soneca antes das 14h00 quando descemos em Orhne harbour, debaixo de um vento cortante com muita neve.
Foto 7. Abrindo o caminho para o "Gap"de Orhne Cove.
Daniel, Johnatan, Rodrigo e eu subimos rapidamente a encosta já com uma espessa camada de neve, e montamos a trilha para os turistas. Ficamos mais ou menos duas horas por ali, congelando, mas tudo bem, pois até consegui recuperar meu sensor de temperatura. Da última vez que eu estive ali, procurei em vão e não tinha encontrado. Na verdade, eu tinha passado por cima dele mas não reconheci o local. Dessa vez levei uma foto comigo e facilmente achei a rocha com o sensor em uma fenda. Troca feita, desci rapidamente a costa para fazer o meu trabalho de taxi-boat. Terminamos a operação as 17h00 e fui direto para o banho quente...ahh que delícia. E que bela surpresa, sai para o deck 4 para o antarctic barbecue e tive a grata surpresa de um sol aparecendo entre as nuvens. Foi ótimo ! sol, churrasco e vinho quente, não poderia pedir mais. Tranquilamente desfrutamos daqueles momentos, descansando e assim que terminou desci para o deck 2 pois eu tinha que mudar de quarto. Até o momento eu estava dividindo com Daniel mas a esposa dele está chegando na próxima viagem e eu mudei para o quarto ao lado, pequeno mas confortável (e eu sozinho, é claro !).
Além disso, passei o tempo todo no deck 2, na sala de jantar (rancho) da tripulação, para comemorar o aniversário de Rex, o chefe dos camareiros da tripulação. Parabéns Rex ! E rolou karaoke, regado a vinho e comida típica filipina (extremamente apimentada !!) até mais ou menos meia noite. Fui dormir tranquilo, enquanto o Ocean Nova navegava também tranquilamente pelo estreito de Bransfield, atravessando para ilha Deception, nosso objetivo para o dia seguinte.
Foto 8. Eles não podem ver um microfone que já começam cantando.
Dia 18 (17/12/2012) - Deception and Yankee
O dia começou cedo para mim. Acordei as 6h00 já sem sono e com um pouco de fome. Só esperei o "Wake up call" as 6h30 para correr para o café da manhã. Ahh como é bom tomar café cedinho sem o burburinho dos passageiros. Não demorou muito apareceu o doutor Sérgio e outros membros do Staff, e logo mais as 7h00 todos os passageiros desceram juntos. Estávamos entrando pelos "Foles de Neptuno", a estreita entrada de Deception Island. A idéia era ir até o fundo da baía, Pendulum Cove, para nadar mas uma espessa camada de gelo ainda cobria toda Telephon Bay onde está Pendulum Cove. Mesmo espesso, o gelo já apresentava falhas com várias poças de degelo. Por isso, marcamos um perímetro ao redor do barco e descemos todos em um corredor para tirar uma foto no meio da neve. Foi legal ! Fizemos uma grande roda, eu filmei no meio e todos correram para onde eu estava depois de algum tempo. É uma roda tradicional no pólo norte e repetiram aqui.
Foto 9. Pendulun cove, Deception Island
Mas o tempo corria e em menos de uma hora já zarpamos de Deception rumo a Ilha Greenwhich, para Yankee Harbour. Demos uma paradinha rápida logo depois de sair de Deception para observar um evento interessante: várias baleias jubartes na área estavam fugindo de uma gangue de Orcas. Não vimos exatamente a caça, pois assim que chegamos as orcas saíram da área, e as jubartes ficaram navegando perto do navio, talvez procurando um pouco de proteção...mas tudo isso um talvez. Infelizmente não podiamos ficar muito tempo ali pois tinhamos que chegar em Yankee Harbour antes das 14hs.
Foto 10. A praia de Yankee.
O vento subiu bastante e apesar do sol, chegamos perto de Yankee por volta das 12h30 com mais de 30 nós de vento (60 km/h mais ou menos). Mesmo assim desembarcamos pelo lado protegido do navio e encaminhamos o grupo para a pinguineira de Yankee. Eu fiquei no meio do caminho pois queria começar a caminhar na outra direção que eu acho mais interessante. Lá pelas 14hs iniciamos a caminhada até a ponta desse porto natural, onde vários elefantes marinhos estavam descansando e tomando sol na praia. Até que eles ficaram calmos, mesmo com a algazarra que os chineses fizeram. Encontramos também algumas focas de Weddell bem preguiçosas. Nem para a foto elas quisetam posar. Hora de voltar, descemos ali mesmo na ponta com os botes e fizemos travessias curtas, de mais ou menos 5 minutos, sob ondas e vento. Eu fiquei no último bote, e apesar de parecer ruim no começo, até que foi bastante tranquilo chegar até o navio. Só me molhei um pouco.
Foto 11. Foca dorminhoca !
Voltamos para o navio e deu ainda para tirar uma soneca de meia hora. Nosso coquetel de despedida estava marcado para as 18 hs e tudo correu como planejado. Ainda de quebra, entrando na baia Fildes, passamos pelo navio da marinha do Brasil, "Almirante Maximiliano".
Foto 12. Almirante Maximiliano saindo da baía Fildes, na Ilha Rei George.
Depois da janta (rápida) ainda desembarcamos por 2 hs na estação chinesa Great Wall, enorme, com quase 300 pessoas e que opera verão e inverno. Mas fiquei só do lado de fora porque sinceramente, achei grande demais. Observações estéticas a parte, pelo menos fiz um bom passeio. Agora, vou postar esse texto e ir dormir...amanhã é Rock Time já as 8hs da manhã, quando vou desembarcar para verificar o estado do caminho entre a praia e a pista de pouso em Frei.
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
...esperando o vôo em Frei
Dia 14 (13/12/2012) - Aguardando em Frei (e visitando Ardley Island)...
Realmente o nevoeiro estava bastante forte. Na verdade, dia 13 pela manhã estava nevando forte e ficamos em standby esperando alguma notícia de Punta Arenas sobre o vôo para retirar esses passageiros daqui e trazer mais um grupo. O plano A nesse caso foi uma visita a pinguineira de Ardley Island, menos de 1 km a sudoeste de Frei, apenas 5 minutos de bote do nosso ponto de ancoragem.
Foto 1 Pinguins Adélie com pequenos filhotes de 1 semana de idade em Ardley
Eu desci no primeiro grupo abrindo a trilha que simplesmente consiste em andar pela borda da praia evitando algum pinguim descansando até o final da ilha onde tem uma pinguineira com Adélies e Gentoos. Para minha surpresa, vários dos ninhos já apresentavam filhotes, de mais ou menos 1 semana de idade. Mesmo com a neve caindo e pouca visibilidade (e muitoooo frio), valeu a pena fazer essa visita para eles. Fiquei mais ou menos uma hora por ali até que veio o chamado pelo rádio: "baleiaaa"! e corremos para a praia porque quatro jubartes estavam nadando na volta do navio. Pulei para dentro do bote e peguei meu grupo de turistas e lá fomos nós à caça dessas baleias (fotograficamente falando). Com eu estava dirigindo e a visibilidade era ruim, deixei para eles (os turistas) tirarem as fotos, mas valeu passar pertinho pertinho desses animais lindos.
E veio o almoço, e logo depois uma sonequinha merecida de 1 hora, pois ainda tinha muito trabalho pela frente. Com o atraso do vôo, praticamente todos os passageiros tem que trocar itinerários e normalmente ajudamos com telefone+internet para isso. As 17 horas desembarcamos na estação russa de Bellingshausen, debaixo de uma capa fria de névoa com visibilidade menor que 20 metros. Eu pilotava um dos botes, de olho na bússola e de olho na frente para não bater em nenhuma pedra. Foi um passeio de mais ou menos 2 horas e ainda consegui visitar minha capela preferida aqui - uma igreja ortodoxa russa, construida uns 8 anos atrás com madeira vinda da sibéria.
Foto 2 Vista interna da capela ortodoxa em Bellingshausen
E assim foi até as 19 horas trabalhando de taxi-boat. Janta, banho, filme (007 - o último deles) e fui dormir a meia noite merecidamente. Antes de cair na cama fiquei um pouco no computador e ainda deu para ver algumas baleias comendo krill ao redor do barco. Também um pouco antes da janta falei com a minha filhota Mariana e com mamis, e até rolou um au au para a minha cadela preferida "Lili". E assim foi mais um dia antártico.
Foto 3 Capela ortodoxa ao fundo, no ponto mais alto de Bellingshausen.
Dia 15 (14/12/2012) - (ainda) Aguardando em Frei ...
acordei as 6hs da manhã e vim para a biblioteca. Tudo calmo na baia Fildes, mas ainda com visibilidade muito ruim, como eu imaginava. Logo as 7h30 Mariano acordou o navio com o seu habitual bom dia mas sem novidades sobre o vôo. Então, só nos resta tomar café e esperar....
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
Classica Antarctica 02
Dia 8 (07/12/2012) - ...Ainda em Frei
Achei que eu ia tirar uma soneca depois que o grupo tinha ido embora mas engano meu ! na verdade acabei me metendo em um treinamento de salvatagem sendo eu a vítima que seria salva. Começamos por volta das 5hs da tarde. Vesti a roupa especial de sobrevivência no mar gelado (survival suit), com várias camadas de roupa por baixo, botei um colete salva-vidas inflado e parti para a água. O treinamento foi feito a bordo de um dos zodiacs atracados na plataforma do navio. Em menos de cinco minutos comecei a suar muito e muito. O calor dentro da roupa era insuportável. Não via a hora de cair na água para ver se resfriava um pouco, mas depois descobri que isso não adiantava muito. Só as mãos ficavam mais ou menos em contato com a água gelada pois as luvas eram muito ruins. O resto..só passei calor !
Foto 1 Preparado para cair na água
Eu rolei pela borda, pulei, dei salto mortal, fiz de tudo e ria muito com tudo. Fui salvo e puxado da água umas 20 vezes, mas confesso que algumas vezes eu sacaneei meus colegas, pois não é fácil puxar alguém de dentro d'água, e no braço. E eu ainda atrapalhava segurando embaixo da borda do zodiac.
Foto 2 Pulando na água com salto mortal.
Foto 3 sendo salvo pela Loli.
Bem...adorei ! espero fazer isso de novo. E todos nos divertimos muito, mas a diversão durou pouco pois recebemos visitar: nada mais nada menos que o chefe da base russa de Bellingshausen, toda a guarnição de marinheiros da base chilena e o respectivo chefe, além de um grupo de pesquisadores do INACH - Instituto Antártico Chileno. Bem, tinhamos que fazer as vezes de donos da casa e a festinha correu até altas horas, mas eu escapuli e fui dormir a 01hs da manhã. Quem se deu mal foram as meninas, Pernille, Sandra e Loli, pois eram as únicas mulheres presentes. Coitadas !
Dia 10 (09/12/2012) - Novo Grupo - Classica Antartica 02 + Half Moon
A manhã do dia seguinte foi relativamente tranquila, e recebemos a notícia de que o avião com o novo grupo de passageiros tinha partido de Rio Galegos por volta das 9h15. A AXXI teve que alterar toda a programação de voo por causa das condições da pista, ainda congelada. Os passageiroas estavam voando de hercules, dessa vez um da força aérea argentina, saindo de Rio Galegos e atravessando o Drake em 3 horas e meia mais ou menos. Já eram 12h30 quando avistamos o avião chegando na ilha e dai começou o corre-corre. Eu desci da pista até a praia, cerca de 20 minutos caminhando na neve, fechando a fila de passageiros, e de pronto peguei um dos botes para iniciar o translado, juntamente com Mike e Ben, os outros dois pilotos de zodiac.
Foto 4 Hércules argentino na pista de Frei. Novos passageiros chegando.
Não havia muito o que fazer naquele dia pois já era bem tarde, e por isso Mariano decidiu que fariamos um desembarque na ilha Half Moon, as 19 hs. A luz estava maravilhosa e o céu de um azul profundo. Os glaciares ao longe na Ilha Livingston, que circunda toda Half Moon, se coloriam de laranja e vermelho. O tempo estava tão calmo que ouviamos os pinguins grasnando de longe. Muito bom. Dessa vez o grupo era meio chato, com muita gente que não atendia nossos avisos de permanecer distantes pelo menos 5 metros dos pinguins, ou se manter nas trilhas que abriamos, e tivemos que intervir várias vezes. Uma pena, mas acontece até que com certa frequência. Ainda vimos uma foca de Weddell descansando na praia, bem no local de desembarque.
Foto 5 Foca de Weddell descansando na praia.
Voltamos para o navio para jantar e logo depois desfrutamos de um belíssimo por de sol no estreito de Bransfield, a caminho da península. O sol se pôs as 11h45 da noite e sem uma única nuvem no céu foi possível observar um espetéculo raro - o "Green Flash". Em uma fração de segundo quando o sol se põem sob o horizonte, a difração da atmosfera extremamente limpa e homogênea (por isso é raro) faz com que seja emitido um flash esverdeado. Todos viram o falsh, mas Daniel, nosso guia de montanha, foi mais além. Ele conseguiu fotografar o raio verde. Parabéns Daniel !
Foto 6 O raio verde de Daniel.
Naquela noite eu fui para a cama logo em seguida, embora só tenha conseguido domir mesmo por volta da 1h da manhã. Estava cansado mas sem sono.
Dia 11 (10/12/2012) - Portal Point and Ohrne Cove + Lemaire
Navegamos para o sul por toda a noite e chegamos a um ponto novo que eu não conhecia na península - Portal Point. O local é uma ponte de gelo descendente suave que vem lá de cima da calota de gelo que recobre a antártica até a praia. Pela inclinação suave ela permitia o acesso a calota polar e o local foi usado pelos ingleses em 1950-60 para estudos de glaciologia e geologia. Na época eles usavam cães para puchar os trenós, mas estes foram proibidos a partir de 1992 pelo tratado antártico. Todas as espécies não antárticas foram retiradas do continente logo em seguida e nunca mais se usaram cães para o trabalho.
Foto 7 Local de desembarque em Portal Point.
Meu café foi rápido porque eu ainda tinha que dar uma palestra sobre pinguins antes do desembarque. Corri para me vestir logo em seguida e desembarcamos na praia pontualmente as 9 hs. O primeiro grupo subiu pela ponte de gelo até uns 100 m de altura e eu segui por um caminho mais suave, com um grupo de passageiros que tinham dificuldade de andar. O local tem um visual muito bonito e o céu azul ajudou bastante. Ao longe, sobre os picos da península, viamos nuvens lenticulares (em forma de lente) o que significava tempo bom mas com muito vento. Ainda deu tempo de fazer um passeio de zodiac. Peguei um dos botes e fomos passear entre icebergs e placas de gelo na baia Charlotte, em frente a Portal Point.
Então veio o almoço, e logo a seguir mais um desembarque, desta vez em Ohrne Cove, uma pequena baia incrustada na peninsula com uma pinguineira de mais de 100 m de altura. Ali o caminho é ingrime e de dificil caminhada, e é incrivel encontrar os pinguins tão alto. Muita neve pelo caminho ajudou na subida mas com um efeito ruim para mim. Meu sensor de temperatura instalado no ano passado estava sob uma camada grande de neve. Como não levei uma foto do local, eu sabia mais ou menos onde ele estava, mas a paisagem tinha mudado muito com a neve, e realmente não consegui encontrá-lo. Mais a noite olhei com calma as fotos do ano passado e descobri que eu passei por cima dele sem perceber. Na próxima oportunidade vou retirá-lo e trocá-lo por outro.
Foto 8 Pinguin tirando uma soneca nas alturas de Ohrne Cove.
Voltamos do desembarque felizes pela missão cumprida e fizemos até uma festinha privada, de 20 minutos, no nosso local secreto - deck 3 na popa aberta. Cerveja e centojas (carangueiro gigante), que o Doutor tinha ganho de presente em Port Williams. Delicioso.
Foto 9 Team Meeting no local secreto.
Continuamos seguindo para o sul até o Canal de Lemaire, e novamente cruzamos o estreito duranto um belíssimo por de sol. Desta vez não teve mid-night cruise de zodiac e pudemos descansar um pouco. Mariano, Loli e outros foram visitar o navio "Sea Adventure" comandado por um amigo e eu fui para a cama cedo. Meia noite eu já estava com certeza dormindo.
Foto 10 Lemaire a noite e os turistas congelando pela melhor foto.
Dia 12 (11/12/2012) - Neko Harbour e Danco Island + barbecue
Acordamos (ou melhor, caimos da cama) hoje as 6hs. Café da manhã super cedo mas na verdade tivemos uma palestra do Daniel sobre glaciologia. As 9hs desembarcamos em Neko Harbour, um lugar mágico com uma geleira bastante ativa e uma pinguineira de gentoos bastante barulhenta. Caminhando pela lateral da geleira e passando pela colônia, temos uma subida em neve um pouco íngrime, mas que vale muito a pena pelo visual da baia. Eu fui o primeiro a abrir a trilha e cheguei no mirante natural sem maiores problemas. Consegui localizar o sensor que eu instalei entre as pedras no ano passado e recoloquei um novo. Depois sentei ali e fiquei apreciando a vista fantástica da baía. Que maravilha.
Foto 11 Vista de Neko Harbour
Voltamos para o almoço rápido e logo a seguir nos reposicionamos no meio do canal Herrera, na ilha Danco. Esta ilha é um local bastante calmo, apesar de estar no meio do canal com correntes fortes de maré e grandes blocos de gelo flutuando por ali. Dessa vez decidi não subir a ilha que é bastante inclinada e acabei ajudando na praia, pois um grupo queria apenas caminhar por ali. Ficamos andando entre as pedras e poças de água formadas pela maré baixa por mais de duas horas. Acabei encontrando a carcaça de um leão marinho jovem, que provavelmente tinha morrido a poucas horas pois a membrana dos olhos ainda estava úmida. Deixamos ele ali mesmo na praia e decidimos voltar. Vários pinguins brincavam na praia e na água, e alguns subiam e desciam pelos caminhos na neve. Cheguei a fazer um filme com a minha mini camera, atraindo a atenção de alguns pinguins que decidiram testar se a camera era "gostosa". Apesar de bucólica, a cena foi quebrada pelos tons de cinza.
Foto 12 Pinguim curioso
O tempo tinha fechado e começava a nevar aqui. Voltamos as 16h30 horas para o navio, preparados para o "Polar Plunge" e mais ou menos uns 15 passageiros malucos pularam nas água geladas do canal Herrera. Super congelante, eu diria....mas aquecidos logo após por mais um churrasco maravilhoso, apesar do tempo ruim.
Teminamos a noite no Panorama Louge com uma palestra de Jonathan sobre a experiência dele na Antárctica durante o inverno. E eu fui para a cama cedo porque eu estava bastante cansado, mais pelo frio do que pelo trabalho.
Dia 13 (12/12/2012) - Mikkelsen Island e Spert
Não é a toa que acordar cedo faz bem a saúde. Mas sinceramente não ando me preocupando bem com manter a saúde. Acordamos as 7h15 e fomos direto para o briefing durante o café da manhã. Objetivo imediato - Ilha Mikkelssen. Uma pinguineira de gentoos estava tomando conta da ilha. Nenhuma novidade pois nos outros anos também estivemos por aqui e não encontrei nada demais. Eu tinha um sensor aqui mas ficou debaixo da neve. Só mesmo os pinguins para ajudar a movimentar o desembarque. Acabei ficando com o controle de tráfego da principal pista de pinguins subindo e descendo, impedindo que os turistas cruzassem a via quando algum pinguim estivesse usando a mesma. Pelo menos consegui tirar umas fotos legais. Abaixo dá para ver um pinguim todo sujo descendo para a praia para se lavar.
Foto 13 uma câmera no meio da Highway
Voltamos a bordo e logo depois do almoço dei minha palestra sobre Climate Change, e que teve como sempre um numero alto de ouvintes e uma discussão bem acalorada depois disso. Palestra dada, a atividade da tarde foi andar de bote entre os canais de Spert Island. Uma ilha vulcânica cheio de canais na forma de um labirinto e com a face norte voltada para mar aberto. O efeito disso é um número grande de icebergs encalhados por ali. A região tem ainda algumas cavernas magníficas, mas infelizmente dessa vez estava tudo tomada de pedaços enormes de gelo, o que dificultava a navegação.
Foto 14 Um buraco no meio do gelo.
Mas o visual de navegar entre pedaços de gelo maiores que um prédio é único. Além disso, as paredes imponentes de Spert deixa qualquer um de pernas bambas.
Foto 15 Lar Doce Lar....
Na volta, ainda fizemos uma foto do grupo na frente do Ocean Nova, para a alegria de todos. Eram quase 5h30 da tarde quando retornamos e só sobrou meia hora para um bom banho, e se preparar para o coquetel de despedida. Este grupo está indo embora no dia seguinte e por isso teriamos o nosso jantar especial e mais o concurso fotográfico. A minha noite terminou depois da 1h da manhã, no bar, conversando com os amigos guias, comemorando mais uma etapa cumprida com louvor, e também como despedida do "Thor", nosso guia sueco Bjorn, que vai deixar o navio amanhã rumo a casa dele. Antes de ir para cama fiquei admirando o por de sol maravilhoso no estreito de Bransfield enquanto o navio rumava calmamente para a estação chilena de Frei.
Dia 14 (13/12/2012) - Aguardando em Frei (e visitando Ardley Island)...
Chegamos em Frei as 7hs da manhã debaixo de um nevoeiro enorme, e já com a certeza de que o vôo tinha sido cancelado pela manhã ao menos. Então, estamos em standby mode em Frei aguardando por melhores condições de tempo. Minha tarefa agora pela manhã é guiar turistas pela ilha Ardley que fica a algumas centenas de metros do ponto de fundeio do navio. Assim que eu tiver tempo posto mais fotos.