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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

...esperando o vôo em Frei

Dia 14 (13/12/2012) - Aguardando em Frei (e visitando Ardley Island)...


Realmente o nevoeiro estava bastante forte. Na verdade, dia 13 pela manhã estava nevando forte e ficamos em standby esperando alguma notícia de Punta Arenas sobre o vôo para retirar esses passageiros daqui e trazer mais um grupo. O plano A nesse caso foi uma visita a pinguineira de Ardley Island, menos de 1 km a sudoeste de Frei, apenas 5 minutos de bote do nosso ponto de ancoragem.



Foto 1 Pinguins Adélie com pequenos filhotes de 1 semana de idade em Ardley


Eu desci no primeiro grupo abrindo a trilha que simplesmente consiste em andar pela borda da praia evitando algum pinguim descansando até o final da ilha onde tem uma pinguineira com Adélies e Gentoos. Para minha surpresa, vários dos ninhos já apresentavam filhotes, de mais ou menos 1 semana de idade. Mesmo com a neve caindo e pouca visibilidade (e muitoooo frio), valeu a pena fazer essa visita para eles. Fiquei mais ou menos uma hora por ali até que veio o chamado pelo rádio: "baleiaaa"! e corremos para a praia porque quatro jubartes estavam nadando na volta do navio. Pulei para dentro do bote e peguei meu grupo de turistas e lá fomos nós à caça dessas baleias (fotograficamente falando). Com eu estava dirigindo e a visibilidade era ruim, deixei para eles (os turistas) tirarem as fotos, mas valeu passar pertinho pertinho desses animais lindos.


E veio o almoço, e logo depois uma sonequinha merecida de 1 hora, pois ainda tinha muito trabalho pela frente. Com o atraso do vôo, praticamente todos os passageiros tem que trocar itinerários e normalmente ajudamos com telefone+internet para isso. As 17 horas desembarcamos na estação russa de Bellingshausen, debaixo de uma capa fria de névoa com visibilidade menor que 20 metros. Eu pilotava um dos botes, de olho na bússola e de olho na frente para não bater em nenhuma pedra. Foi um passeio de mais ou menos 2 horas e ainda consegui visitar minha capela preferida aqui - uma igreja ortodoxa russa, construida uns 8 anos atrás com madeira vinda da sibéria.



Foto 2 Vista interna da capela ortodoxa em Bellingshausen


E assim foi até as 19 horas trabalhando de taxi-boat. Janta, banho, filme (007 - o último deles) e fui dormir a meia noite merecidamente. Antes de cair na cama fiquei um pouco no computador e ainda deu para ver algumas baleias comendo krill ao redor do barco. Também um pouco antes da janta falei com a minha filhota Mariana e com mamis, e até rolou um au au para a minha cadela preferida "Lili". E assim foi mais um dia antártico.



Foto 3 Capela ortodoxa ao fundo, no ponto mais alto de Bellingshausen.


Dia 15 (14/12/2012) - (ainda) Aguardando em Frei ...


acordei as 6hs da manhã e vim para a biblioteca. Tudo calmo na baia Fildes, mas ainda com visibilidade muito ruim, como eu imaginava. Logo as 7h30 Mariano acordou o navio com o seu habitual bom dia mas sem novidades sobre o vôo. Então, só nos resta tomar café e esperar....


quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Classica Antarctica 02

Dia 8 (07/12/2012) - ...Ainda em Frei


Achei que eu ia tirar uma soneca depois que o grupo tinha ido embora mas engano meu ! na verdade acabei me metendo em um treinamento de salvatagem sendo eu a vítima que seria salva. Começamos por volta das 5hs da tarde. Vesti a roupa especial de sobrevivência no mar gelado (survival suit), com várias camadas de roupa por baixo, botei um colete salva-vidas inflado e parti para a água. O treinamento foi feito a bordo de um dos zodiacs atracados na plataforma do navio. Em menos de cinco minutos comecei a suar muito e muito. O calor dentro da roupa era insuportável. Não via a hora de cair na água para ver se resfriava um pouco, mas depois descobri que isso não adiantava muito. Só as mãos ficavam mais ou menos em contato com a água gelada pois as luvas eram muito ruins. O resto..só passei calor !



Foto 1 Preparado para cair na água


Eu rolei pela borda, pulei, dei salto mortal, fiz de tudo e ria muito com tudo. Fui salvo e puxado da água umas 20 vezes, mas confesso que algumas vezes eu sacaneei meus colegas, pois não é fácil puxar alguém de dentro d'água, e no braço. E eu ainda atrapalhava segurando embaixo da borda do zodiac.



Foto 2 Pulando na água com salto mortal.



Foto 3 sendo salvo pela Loli.


Bem...adorei ! espero fazer isso de novo. E todos nos divertimos muito, mas a diversão durou pouco pois recebemos visitar: nada mais nada menos que o chefe da base russa de Bellingshausen, toda a guarnição de marinheiros da base chilena e o respectivo chefe, além de um grupo de pesquisadores do INACH - Instituto Antártico Chileno. Bem, tinhamos que fazer as vezes de donos da casa e a festinha correu até altas horas, mas eu escapuli e fui dormir a 01hs da manhã. Quem se deu mal foram as meninas, Pernille, Sandra e Loli, pois eram as únicas mulheres presentes. Coitadas !


Dia 10 (09/12/2012) - Novo Grupo - Classica Antartica 02 + Half Moon


A manhã do dia seguinte foi relativamente tranquila, e recebemos a notícia de que o avião com o novo grupo de passageiros tinha partido de Rio Galegos por volta das 9h15. A AXXI teve que alterar toda a programação de voo por causa das condições da pista, ainda congelada. Os passageiroas estavam voando de hercules, dessa vez um da força aérea argentina, saindo de Rio Galegos e atravessando o Drake em 3 horas e meia mais ou menos. Já eram 12h30 quando avistamos o avião chegando na ilha e dai começou o corre-corre. Eu desci da pista até a praia, cerca de 20 minutos caminhando na neve, fechando a fila de passageiros, e de pronto peguei um dos botes para iniciar o translado, juntamente com Mike e Ben, os outros dois pilotos de zodiac.



Foto 4 Hércules argentino na pista de Frei. Novos passageiros chegando.


Não havia muito o que fazer naquele dia pois já era bem tarde, e por isso Mariano decidiu que fariamos um desembarque na ilha Half Moon, as 19 hs. A luz estava maravilhosa e o céu de um azul profundo. Os glaciares ao longe na Ilha Livingston, que circunda toda Half Moon, se coloriam de laranja e vermelho. O tempo estava tão calmo que ouviamos os pinguins grasnando de longe. Muito bom. Dessa vez o grupo era meio chato, com muita gente que não atendia nossos avisos de permanecer distantes pelo menos 5 metros dos pinguins, ou se manter nas trilhas que abriamos, e tivemos que intervir várias vezes. Uma pena, mas acontece até que com certa frequência. Ainda vimos uma foca de Weddell descansando na praia, bem no local de desembarque.



Foto 5 Foca de Weddell descansando na praia.


Voltamos para o navio para jantar e logo depois desfrutamos de um belíssimo por de sol no estreito de Bransfield, a caminho da península. O sol se pôs as 11h45 da noite e sem uma única nuvem no céu foi possível observar um espetéculo raro - o "Green Flash". Em uma fração de segundo quando o sol se põem sob o horizonte, a difração da atmosfera extremamente limpa e homogênea (por isso é raro) faz com que seja emitido um flash esverdeado. Todos viram o falsh, mas Daniel, nosso guia de montanha, foi mais além. Ele conseguiu fotografar o raio verde. Parabéns Daniel !



Foto 6 O raio verde de Daniel.


Naquela noite eu fui para a cama logo em seguida, embora só tenha conseguido domir mesmo por volta da 1h da manhã. Estava cansado mas sem sono.


Dia 11 (10/12/2012) - Portal Point and Ohrne Cove + Lemaire


Navegamos para o sul por toda a noite e chegamos a um ponto novo que eu não conhecia na península - Portal Point. O local é uma ponte de gelo descendente suave que vem lá de cima da calota de gelo que recobre a antártica até a praia. Pela inclinação suave ela permitia o acesso a calota polar e o local foi usado pelos ingleses em 1950-60 para estudos de glaciologia e geologia. Na época eles usavam cães para puchar os trenós, mas estes foram proibidos a partir de 1992 pelo tratado antártico. Todas as espécies não antárticas foram retiradas do continente logo em seguida e nunca mais se usaram cães para o trabalho.



Foto 7 Local de desembarque em Portal Point.


Meu café foi rápido porque eu ainda tinha que dar uma palestra sobre pinguins antes do desembarque. Corri para me vestir logo em seguida e desembarcamos na praia pontualmente as 9 hs. O primeiro grupo subiu pela ponte de gelo até uns 100 m de altura e eu segui por um caminho mais suave, com um grupo de passageiros que tinham dificuldade de andar. O local tem um visual muito bonito e o céu azul ajudou bastante. Ao longe, sobre os picos da península, viamos nuvens lenticulares (em forma de lente) o que significava tempo bom mas com muito vento. Ainda deu tempo de fazer um passeio de zodiac. Peguei um dos botes e fomos passear entre icebergs e placas de gelo na baia Charlotte, em frente a Portal Point.


Então veio o almoço, e logo a seguir mais um desembarque, desta vez em Ohrne Cove, uma pequena baia incrustada na peninsula com uma pinguineira de mais de 100 m de altura. Ali o caminho é ingrime e de dificil caminhada, e é incrivel encontrar os pinguins tão alto. Muita neve pelo caminho ajudou na subida mas com um efeito ruim para mim. Meu sensor de temperatura instalado no ano passado estava sob uma camada grande de neve. Como não levei uma foto do local, eu sabia mais ou menos onde ele estava, mas a paisagem tinha mudado muito com a neve, e realmente não consegui encontrá-lo. Mais a noite olhei com calma as fotos do ano passado e descobri que eu passei por cima dele sem perceber. Na próxima oportunidade vou retirá-lo e trocá-lo por outro.



Foto 8 Pinguin tirando uma soneca nas alturas de Ohrne Cove.


Voltamos do desembarque felizes pela missão cumprida e fizemos até uma festinha privada, de 20 minutos, no nosso local secreto - deck 3 na popa aberta. Cerveja e centojas (carangueiro gigante), que o Doutor tinha ganho de presente em Port Williams. Delicioso.



Foto 9 Team Meeting no local secreto.


Continuamos seguindo para o sul até o Canal de Lemaire, e novamente cruzamos o estreito duranto um belíssimo por de sol. Desta vez não teve mid-night cruise de zodiac e pudemos descansar um pouco. Mariano, Loli e outros foram visitar o navio "Sea Adventure" comandado por um amigo e eu fui para a cama cedo. Meia noite eu já estava com certeza dormindo.



Foto 10 Lemaire a noite e os turistas congelando pela melhor foto.


Dia 12 (11/12/2012) - Neko Harbour e Danco Island + barbecue


Acordamos (ou melhor, caimos da cama) hoje as 6hs. Café da manhã super cedo mas na verdade tivemos uma palestra do Daniel sobre glaciologia. As 9hs desembarcamos em Neko Harbour, um lugar mágico com uma geleira bastante ativa e uma pinguineira de gentoos bastante barulhenta. Caminhando pela lateral da geleira e passando pela colônia, temos uma subida em neve um pouco íngrime, mas que vale muito a pena pelo visual da baia. Eu fui o primeiro a abrir a trilha e cheguei no mirante natural sem maiores problemas. Consegui localizar o sensor que eu instalei entre as pedras no ano passado e recoloquei um novo. Depois sentei ali e fiquei apreciando a vista fantástica da baía. Que maravilha.



Foto 11 Vista de Neko Harbour


Voltamos para o almoço rápido e logo a seguir nos reposicionamos no meio do canal Herrera, na ilha Danco. Esta ilha é um local bastante calmo, apesar de estar no meio do canal com correntes fortes de maré e grandes blocos de gelo flutuando por ali. Dessa vez decidi não subir a ilha que é bastante inclinada e acabei ajudando na praia, pois um grupo queria apenas caminhar por ali. Ficamos andando entre as pedras e poças de água formadas pela maré baixa por mais de duas horas. Acabei encontrando a carcaça de um leão marinho jovem, que provavelmente tinha morrido a poucas horas pois a membrana dos olhos ainda estava úmida. Deixamos ele ali mesmo na praia e decidimos voltar. Vários pinguins brincavam na praia e na água, e alguns subiam e desciam pelos caminhos na neve. Cheguei a fazer um filme com a minha mini camera, atraindo a atenção de alguns pinguins que decidiram testar se a camera era "gostosa". Apesar de bucólica, a cena foi quebrada pelos tons de cinza.



Foto 12 Pinguim curioso


O tempo tinha fechado e começava a nevar aqui. Voltamos as 16h30 horas para o navio, preparados para o "Polar Plunge" e mais ou menos uns 15 passageiros malucos pularam nas água geladas do canal Herrera. Super congelante, eu diria....mas aquecidos logo após por mais um churrasco maravilhoso, apesar do tempo ruim.


Teminamos a noite no Panorama Louge com uma palestra de Jonathan sobre a experiência dele na Antárctica durante o inverno. E eu fui para a cama cedo porque eu estava bastante cansado, mais pelo frio do que pelo trabalho.



Dia 13 (12/12/2012) - Mikkelsen Island e Spert


Não é a toa que acordar cedo faz bem a saúde. Mas sinceramente não ando me preocupando bem com manter a saúde. Acordamos as 7h15 e fomos direto para o briefing durante o café da manhã. Objetivo imediato - Ilha Mikkelssen. Uma pinguineira de gentoos estava tomando conta da ilha. Nenhuma novidade pois nos outros anos também estivemos por aqui e não encontrei nada demais. Eu tinha um sensor aqui mas ficou debaixo da neve. Só mesmo os pinguins para ajudar a movimentar o desembarque. Acabei ficando com o controle de tráfego da principal pista de pinguins subindo e descendo, impedindo que os turistas cruzassem a via quando algum pinguim estivesse usando a mesma. Pelo menos consegui tirar umas fotos legais. Abaixo dá para ver um pinguim todo sujo descendo para a praia para se lavar.



Foto 13 uma câmera no meio da Highway


Voltamos a bordo e logo depois do almoço dei minha palestra sobre Climate Change, e que teve como sempre um numero alto de ouvintes e uma discussão bem acalorada depois disso. Palestra dada, a atividade da tarde foi andar de bote entre os canais de Spert Island. Uma ilha vulcânica cheio de canais na forma de um labirinto e com a face norte voltada para mar aberto. O efeito disso é um número grande de icebergs encalhados por ali. A região tem ainda algumas cavernas magníficas, mas infelizmente dessa vez estava tudo tomada de pedaços enormes de gelo, o que dificultava a navegação.



Foto 14 Um buraco no meio do gelo.


Mas o visual de navegar entre pedaços de gelo maiores que um prédio é único. Além disso, as paredes imponentes de Spert deixa qualquer um de pernas bambas.



Foto 15 Lar Doce Lar....


Na volta, ainda fizemos uma foto do grupo na frente do Ocean Nova, para a alegria de todos. Eram quase 5h30 da tarde quando retornamos e só sobrou meia hora para um bom banho, e se preparar para o coquetel de despedida. Este grupo está indo embora no dia seguinte e por isso teriamos o nosso jantar especial e mais o concurso fotográfico. A minha noite terminou depois da 1h da manhã, no bar, conversando com os amigos guias, comemorando mais uma etapa cumprida com louvor, e também como despedida do "Thor", nosso guia sueco Bjorn, que vai deixar o navio amanhã rumo a casa dele. Antes de ir para cama fiquei admirando o por de sol maravilhoso no estreito de Bransfield enquanto o navio rumava calmamente para a estação chilena de Frei.


Dia 14 (13/12/2012) - Aguardando em Frei (e visitando Ardley Island)...


Chegamos em Frei as 7hs da manhã debaixo de um nevoeiro enorme, e já com a certeza de que o vôo tinha sido cancelado pela manhã ao menos. Então, estamos em standby mode em Frei aguardando por melhores condições de tempo. Minha tarefa agora pela manhã é guiar turistas pela ilha Ardley que fica a algumas centenas de metros do ponto de fundeio do navio. Assim que eu tiver tempo posto mais fotos.


sábado, 8 de dezembro de 2012

Antarctica Express 01

Dia 1 (30/11/2012) - Passeando por Port Williams


Um pouco de confusão marcou o início dessa viagem. Afinal, todos os 49 passageiros que decidiram ficar e cruzar o Drake conosco tiveram que mudar completamente seus planos de viagem. Imagino o tamanho do rolo que foi isso. Atravessamos o canal de Beagle na noite anterior e atracamos em Port Williams. Os planos para o primeiro dia incluíam a carga do navio, distribuição das botas especiais para os passageiros, e mais atividades nossas de guias. Minha primeira função foi levar o grupo de passageiros para um passeio pela pitoresca Port Williams. A foto diz tudo - a cidade é incrivelmente pequena mas a vista é fabulosa. Passeamos pelo centro e pelo museu (o único da cidade) que conta um pouco a história dos povos indígenas que habitavam a região.



Foto 1 Panorama de Port Williams visto do centro da vila.


Voltamos para o navio para o almoço e logo a tarde já pegamos novamente no pesado, com a carga do navio (principalmente do shopping que a AXXI mantém a bordo) e ainda levando 2 grupos para um passeio pelo parque etnobotânico Omora (que significa uma divindade indígena representada por um beija-flor). Aparentemente, no verão, milhares de pássaros vindos principalmente do Brasil, chegam até aqui para nidificar e se alimentar da floresta de Omora. Lugar lindo ! com toda certeza vale muito a pena visitar.



Foto 2 Parque Omora com o grupo bastante animado


A tarde voou rápido e logo estávamos de volta ao navio para zarparmos as 22hs com destino a cabo de Hornos. Até que foi uma noite tranqüila, mas eu, para variar, não consegui dormir direito, estranhando a cama. Paciência ! pelo menos eu escrevo meu diário.


Dia 2 (01/12/2012) - Cape Horn e "The" lake Drake


Acordamos pela manhã às 7h30 bem próximos de Cabo Horn e às 9hs desembarcamos na ilha sob uma chuva gelada e um vento sudoeste firme. Ainda assim foi bom demais começar finalmente a viagem. Cape Horn ou Cabo de Hornos é uma ilha no fim do mundo que possui um farol cuidado e controlado pela marinha chilena. O faroleiro é militar e no caso atual, estava acompanhado de sua esposa e seu filho de 6 anos e uma filha de 9 anos de idade. Chegamos exatamente no primeiro dia de trabalho dessa família ali na ilha e creio que foi bastante estressante para eles vendo um grupo de quase 50 passageiros de vários lugares do mundo chegando ao mesmo tempo em um local tão apertado como era a casa do faroleiro. Dividimos os visitantes em dois grupos, um para o farol e outro para o monumento ao Albatroz (uma placa de pedra vazada com um albatroz em escala 1:1, mostrando quão imenso é esse animal). A ilha é alta, com escarpas íngrimes, e para se chegar ao platô onde se encontra o farol, é necessário subir uma escadaria de madeira capenga com 160 degraus. De lá, partem dois caminhos e mantemos todos em fila para evitar alguém passando pelos campos abertos da ilha que, segundo contam os registros, ainda contém algumas minas terrestres.



Foto 3 Desembarque em Capar Horn


A chuva não deu trégua mas também era pedir muito. Já agradeci bastante a Netuno por manter o mar tranqüilo e sem o swell pesado que normalmente tem na região. Portanto o desembarque foi bastante simples, mesmo com as pedras da praia bastante escorregadias. Fiquei nesse vai e vem de cima para baixo ajudando os grupos que, por causa do frio, decidiram por uma visita curta e logo estavam de volta na praia pedindo para subir a bordo. Vimos alguns lobos marinhos pela volta e também uma baleia Minke nadando por ali perto da praia, e logo antes do almoço, por volta das 11h30, já estavam todos a bordo. Zarpamos para o Drake com a sensação de que, apesar da chuva, ele estaria calmo. Dito e feito ! The "Lake" Drake foi o que encontramos. Dei uma palestra sobre a Convergência Antártica até que com um público bom, e o final da tarde veio com tempo tranqüilo e pouco vento, vendo os albatrozes e petréis dançando atrás do navio.



Foto 4 The Lake Drake e seus pássaros.


Ainda comemoramos o aniversário do Mike, com direito a bolo e parabéns de todos. A comemoração se estendeu um pouco mais no bar, com algumas brincadeiras, uma cerveja e um pouco de música, mas preferi ir cedo para a cama. As 23 hs eu já estava deitado e pronto para uma noite de sono bom.


Dia 3 (02/12/2012) - Cruzando a segunda metade do Drake


Todos os dias Mariano entra no sistema de som do navio com um "Bom Dia Ocean Nova", cerca de 30 minutos antes do café da manhã. Chamamos isso de "Wakeup Call", e hoje, decidimos que não haveria o wakeup call e nem a chamada para o café da manhã. Acordei as 7h30 com o sol entrando pela vigia do meu quarto e o Drake ainda continuava calmo e liso como uma piscina. Incrível ! acho que este foi o Drake mais tranqüilo da minha vida. Terminei de tomar café e ainda voltei para o quarto para finalizar minha apresentação do dia. Lá pelas 10 horas da manhã alguns passageiros guiados por Bjorn, junto comigo e Sandra, vieram para olhar os pássaros que voavam baixo na popa do barco. Essa visão, dezenas de aves voando atrás do navio, foi incrivelmente bonita com o céu azul e apenas algumas nuvens no céu. Até que não estava frio (mais ou menos 5 graus) mas tínhamos que ficar com os casacos pesados por causa do vento, fraco mas constante.



Foto 5 Cruzando o Drake e descansando ao sol.


Não tem muito o que dizer da tarde. Até deu para descansar um pouco depois do almoço, mas o que mais apareceu estranho foi o tempo que mudou. Lá pelas 2 horas da tarde o céu ficou cinza e começou a nevar firme e forte, até a noite. A visibilidade caiu muito e a temperatura baixou a zero. Dei minha palestra sobre pingüins as 4horas da tarde e depois disso só fiquei com algumas funções operacionais do navio, ajudando aqui e ali. O plano para o dia 4 será visitar a ilha Deception. Vamos ver no que vai dar. Por volta das 22h30 avistamos a ilha Smith, cerca de 30 milhas a oeste de Deception. O céu abriu e o por do sol nos brindou com uma noite memorável e fria (cerca de 2 graus de temperatura do ar). Maravilha !



Foto 6 Chuvas (ou neve) no final do Drake



Dia 4 (03/12/2012) - Baily Head e Telephon Bay (Ilha Deception)


Foi duro acordar as 6 hs da manhã mas valeu a pena. Já estávamos praticamente parados na frente de Bailey`s Head, uma pedra com cerca de 300 m de altura na ponta sudoeste da Ilha Deception. Normalmente os barcos não param por ali porque a praia é de acesso muito difícil e ondas batem com tanta força ali que ela tem uma Berna de mais de 2 m de altura. Literalmente uma praia de tombo. Ali fica a maior colônia de pingüins da península com mais de 200 mil pingüins de barbicha (Chinstrap). Entramos por volta das 8 hs da manhã com os botes, e eu abri a fila com os primeiros 10 passageiros, tentando passar por uma verdadeira autopista de pingüins subindo e descendo a ladeira. O que mais me impressionou foi um bloco de gelo sólido com mais de 10 toneladas preso bem dentro da praia, a mais de 50 metros da água. Eu imagino a força e a altura da maré+ondas para colocar um bloco daquele tamanho ali. Subimos a primeira crista e logo o ar se encheu de som de pingüins grasnando um pelo outro (além do cheiro de guano, meio camarão com peixe). Várias skuas e mais um petrel gigante estavam pela área tentando conseguir um bom café da manhã.



Foto 7 Primeiros pingüins.


Foram duas horas de visita a pinguineira, fria e divertida. O vento começou a entrar um pouco mais forte no final da manhã mas já estávamos de saída. As 11h30 em ponto zarpamos dali e começamos o caminho para Telephon Bay, dentro da ilha Deception (que na verdade é a cratera de um vulcão). Entrada apertada e alguns vizinhos - o Sea Adventure, da Quark Expeditions estava em Whalers Bay e o navio da Marinha do Brasil, o Almirante Maximiliano, mais ao fundo próximo a base espanhola. Ao entrarmos deparamos com uma camada grossa de gelo marinho no fundo da baia e decidimos "atracar" o navio no gelo. Para isso, foi preciso entrar em velocidade no gelo, de forma que o navio ficasse preso. E conseguimos ! Partimos para um almoço rápido e logo depois descemos no gelo para tirar fotos, jogar futebol, e caminhar por ali.



Foto 8 OCN no gelo - fenomenal !


A foto já diz tudo - a maior diversão foi pegar a corda grossa na frente do barco, fazendo de conta que puxávamos ele no gelo. Na foto dá para ver ao fundo ainda o time de futebol se aquecendo para o jogo "Pax VS Staff". Divertidíssimo ! Lá pelas 3h30 da tarde levantamos acampamento e zarpamos pela saída da ilha de volta a mar aberto. Nosso destino agora são as ilhas Enterprise, mais dentro da península, onde vamos fazer um cruzeiro de zodiac amanhã e tentar encontrar novidades entre as ilhas de Foyn harbour.



Dia 5 (04/12/2012) - Foyn Harbour e Curverville Island


Lembro que acordei com meu despertador em um quarto completamente escurecido e silencioso, algo que é bem anormal para um navio. É que estávamos ancorados ao largo da ilha Enterprise, na paradisíaca Foyn Harbour. Nossos planos incluiam um bom passeio de zodiac ente as ilhas congeladas. E foi o que ocorreu. Sempre que estive aqui em Foyn podíamos andar livremente entre os canais e ilhas, mas pela primeira vez eu me perdi com tanta neve. Normalmente as ilhas tem marcas claras que usamos como referência, mas dessa vez todas estavam tão cobertas de neve que era muito difícil saber qual é qual. Pelo menos o navio ficou ao largo no estreito de Gerlache e ficou fácil para voltar a bordo. No caminho, visitamos os restos do navio "Gorvernor" que afundou em 1915 com uma carga avaliada (corrigida para valores atuais) de 10 milhões de dólares em óleo de baleia azul - algo que, embora caro, não pode mais ser comercializado. Atracado a bombordo dele estava um veleiro Frances de nome "Paradise". Ahh que vontade de ficar velejando por aqui.



Foto 9 Visitantes de Foyn - yatch Frances junto ao barco afundado.


Voltamos para o navio para o almoço e logo nos movemos mais para o sul, na verdade para sudeste, em direção a ilha Curverville, com sua imensa colônia de pingüins gentoos. O dia estava especialmente claro, céu azul e sem vento, o que tornou a visita a ilha quase que uma sauna a céu aberto. A neve fofa duplicava o trabalho de andar e marcar o caminho para os turistas. Passei um calorão danado com a montanha de roupas que estávamos usando. Mas logo me meti para abrir a trilha até o outro lado da ilha com a espetacular vista das montanhas ao redor da ilha. Ainda sobrou até um tempinho para o meu amigo Mike dar uma "palinha" para os pingüins, tocando sua guitarra. Realmente foi uma tarde especial.



Foto 10 Mike e os pingüins.


O dia estava tão tranqüilo que imediatamente depois de voltarmos de Cuverville, zarpamos para o canal de Lemaire. Deu só tempo de jantar e fomos diretos para aparte aberta do deck 5 para ver a entrada do canal, perfeitamente alinhada com sudeste, o que torna o canal quase que um túnel para a luz do sol no fim de tarde/noite entrar com cores alaranjadas e vermelhas.



Foto 11 a mágica entrada do portal de Lemaire.


Com toda certeza esse é um dos lugares mais bonitos daqui dos mares austrais. Apesar do vento frio dentro do canal a travessia foi absolutamente incrível. Já eram 22 horas quando chegamos do outro lado, e quando Mariano entrou no rádio com uma de suas insanidades antárticas - "Late Zodiac trip" ! Iriamos aproveitar pelo menos mais uma hora de luz até o sol desaparecer atrás dos icebergs. Corremos feito loucos entre os icebergs sob o delírio dos passageiros que, apesar do frio, sorriam e riam sem parar. Wonderfull ! Fui dormir cansado e completamente exaurido de minhas forças, mas feliz pelo presente de final de dia.



Foto 12 Por de sol da meia noite



Dia 6 (05/12/2012) - Petermann Island, Verdnasky e Antarctic Barbecue


Nos movemos de manhã bem cedo para a frente da ilha Petermann com o objetivo de fazer um passeio longo e tranqüilo entre as diferentes colônias da ilha. Petermann é a chave para um fato curioso, o avanço para o norte da ocupação dos pingüins Gentoos e a perda de espaço dos pingüins Adélie. A ilha sempre teve muitos adélies mas de alguns anos para cá tem mostrado cada vez menos ninhos e mais gentoos espalhados por toda a ilha, ainda dividindo espaço com cormorantes de olho azul. Quando chegamos para o desembarque, um juvenil de elefante marinho estava descansando na praia e sinceramente, me parece que não gostou muito de ter sua paz perturbada pelos zodiacs barulhentos encostando perto dele. Andamos por toda a manhã pela ilha e eu aproveitei para recolher um dos meus sensores de temperatura que tinha sido instalado por Loli e Mariano um ano atrás. Fiquei muito surpreso quando baixeis os dados do meu sensor e vi que a temperatura mais baixa do inverno antártico foi de apenas -16 graus e durante boa parte do ano ficou ao redor dos -5 graus. Bem, coloquei outro sensor no lugar deste, na esperança de que no próximo ano vou vir novamente recuperá-lo.



Foto 13 Panorama de Petermann Island


Voltamos para o navio e nos movemos mais para o sul, para a frente das Ilhas Argentinas, que, apesar do nome, tem uma base ucraniana instalada ali. Verdnasky era o nosso objetivo e trabalhei bastante toda a tarde, controlando os passageiros pela base e para um passeio mais longo até Wordy`s House, um pequeno museu mantido como era originalmente pelo geólogo da expedição de Schakelton, Dr. Wordy, que trabalhou ali por um tempo.



Foto 14 Barbecue antártico


Pontualmente as 6 da tarde retornamos para o navio para festejar - era dia de churrasco ! O famoso Antarctic barbecue no deck 5, aberto ao sol, vento e obviamente frio. Mas foi bastante legal ficar um pouco ao ar livre e de pernas para o ar. Esse dia em especial podíamos vestir nossas roupas "normais" pois todos os outros dias estou com o uniforme da empresa (Antarctica XXI). Terminado o churrasco por volta das 19h30, fomos todos para o bar do navio para tocar musica, beber e jogar conversa fora. Mike pegou na guitarra e eu no bongô, e (nos) divertimos muito com todos que ainda conseguiram ficar até tarde - 2hs da manhã, na melhor das noites antárticas.


Dia 7 (06/12/2012) - Paradise Bay, Polar Plunge e Melchior Islands


Acordei as 7hs da manhã com o Mariano falando no sistema de som, dando nossa posição e informando que o céu estava azul e o tempo firme. Felizmente ! para nós ! Estávamos ancorados em Paradise Bay - um pedacinho muito especial da Antártica. Ao fundo da baia estava a base Almirante Brown (Argentina), silenciosa para os humanos porque os argentinos ainda não tinham aberto a base este ano, mas ruidosa para os pingüins que tomavam conta de toda a entrada da base, na volta dos prédios e pelas colinas. Colocamos 6 botes na água e zarpamos para Skontorpe Cove, onde um dos maiores glaciares da região encosta no mar. As águas estavam super tranqüilas e passeamos por mais ou menos uma hora, entre muitos pedaços de gelo flutuando em todas as cores de azul e branco. Passamos uma hora entre as águas tranqüilas e o glacier, para depois desembarcar na base e subir a colina. Sem vento e com sol a temperatura sobre a neve chegava a mais de 20 graus !! (de sensação térmica). Eu literalmente estava cozinhando dentro do casaco e tive que tirar algumas camadas de roupa para poder agüentar. Logo depois voltamos para o navio para uma tradição dessas viagens. O famoso "Polar Plunge", quando os passageiros e quem mais quiser caem na água gelada para comemorar a viagem, começou por volta das 11h30 e teve uma participação excelente, com mais de 20 passageiros malucos correndo para fora do barco pela gangway. Foi divertido e tiramos muitas fotos, principalmente para mostrar para eles no final da viagem o quão louco eles são.



Foto 15 Navegando em Skontorp Cove, Paradise.


Seguimos firme nos planos e logo após o almoço avistamos um grupo de orcas, já no estreito de Gerlache, atravessando para as Ilhas Melchior. Um macho grande e algumas fêmeas e juvenis. Mas não pareciam estar caçando. Apenas estavam por ali, navegando entre as ilhas.


Logo em seguida chegamos as ilhas Melchior, na parte externa de Gerlache e com o vasto mar de Bellingshausen a oeste. Melchior é um grupo de 4 ilhas cheias de canais congelados. Um verdadeiro labirinto e ideal para passeios de zodiac. Novamente 6 botes na água e zarpamos para vasculhar por vida marinha entre esses canais. Encontramos alguns deles completamente congelados e com dúzias de focas de Weddell sobre as placas de gelo, dormindo ao sol ou apenas ali descansando um pouco.



Foto 16 Focas no Gelo.


Um e outro pingüim sobre os icebergs da área foram avistados e mais adiante vimos uma jubarte curiosa que ficou nos rodeando por pelo menos 30 minutos, até perder o interesse e sair mergulhando para mar aberto. Foi um dia incrível, mas de mudanças. Logo no final da tarde o céu ficou cinza e nuvens carregadas de neve taparam por completo nossa vista de terra. Agora estamos rumando para o norte novamente, para as ilhas Shetlands e nosso objetivo amanhã é visitar Half Moon Island. Mas isso eu deixo para amanhã. Good Night.


Dia 8 ( 07/12/12) - Half Moon & Yankee Harbour + Orcas


O dia começou sem o "Wakeup Call" tradicional do Mariano. O cansaço da noite anterior tinha sido imenso e precisávamos de uma pausa. Mesmo assim, 7h30 eu já estava acordado e perfeitamente preparado para o dia cansativo que viria adiante. Desembarcamos em Half Moon logo após o café da manhã com um céu tímido cinza. Na madrugada tínhamos enfrentado uma nevasca de flocos grandes que cobria todo o navio. A ilha Half Moon fica a apenas algumas horas da estação chilena Frei onde está o aeroporto que usamos nas nossas operações e tínhamos bastante tempo para explorar a ilha que tem uma grande quantidade de pingüins Chinstrap (Pinguim de Barbicho). Eu abri a trilha até a parte sul da ilha e durante duas horas ficamos controlando o vai e vem dos passageiros e se divertindo com o vai e vem parecido dos pingüins. Na volta até deu tempo para descansar os pés na água fria e relaxante da praia.



Foto 17 Pé a areira, melhores férias impossível !


Voltamos para um almoço rápido pois logo em seguida o navio se movimentou para Yankee Harbour na ilha Greenwich. O local é um porto quase que natural, com um enorme glaciar na frente e uma colônia imensa de pingüins, mas que eu dispensei de visitar porque precisava instalar mais um dos sensores de temperatura na ponta de Yankee Harbour, que fica a mais ou menos uns 3 km do ponto de desembarque. Pulei do bote que ia para a praia bem na ponta desse porto natural e escalei os 2 metros de neve que separa a parte de cima da praia da linha d`água propriamente dita. Havia muita neve por ali e foi bastante difícil se movimentar, até que consegui chegar até um marco de ferro com um sinal náutico, instalei o sensor de temperatura e voltei caminhando sobre a neve fofa quase metade do caminho. Foi dureza pura !! e muita falta de inteligência. Afinal, esqueci que eu estava com as botas a prova d`água. Encontrei um caminho de foca na neve (feito por focas que sobem até a parte alta da praia para descansar na neve) e desci até a água, e daí em diante foi fácil fácil, pois só precisei andar dentro d`água (ou até a canela, pelo menos).



Foto 18 Instalando um equipemento em Yankee


Ainda tive que voltar uma parte com alguns turistas mas nada demais. Só fiquei um pouco sem fôlego. Passamos mais ou menos duas horas em Yankee e zarpamos rumo a base Frei (Chile) e eu ainda corri para preparar o concurso fotográfico, o qual eu seria o responsável essa noite. Mas, quando eu achava que ia dar tempo de fazer tudo, mesmo tendo ainda que tomar banho, aparece então uma família de orcas navegando na frente do navio. Mariano me chamou rapidamente e em menos de 2 minutos eu estava dentro do zodiac, correndo feito louco com 6 passageiros atrás de uma boa dúzia de orcas. Passamos uns 40 minutos por ali, navegando no meio do estreito de Bransfield - mar aberto com um swell considerável, e cheios de orcas ao redor. Voltamos para o navio em seguida e eu correndo de novo para colocar uma camisa social e gravata, para o coquetel de despedida e o concurso fotográfico (Ufa!). Mas até que deu tempo. Paramos em Frei por volta das 21 horas e ainda fiquei acordado até a meia-noite para poder enviar alguns emails. Daí cai exausto na cama para acordar as 6h00 do dia seguinte...ai ai ai ai ai.


Dia 9 (08/12/2012) - Frei Frei Frei


Nem deu tempo de respirar. Eu engoli alguma coisa no café enquanto Mariano passava as instruções e já desci a toda velocidade para a entrada do navio para transportar as bagagens dos passageiros até os botes. Foram 2 botes cheios de malas e eu agarrado a uma dúzia delas, junto com Mike, transportamos tudo para a praia onde o caminhão da empresa nos aguardava. O aeroporto de Frei é uma base militar chilena e estava com uma cobertura de neve maior que 2 m. Foi difícil passar com o caminhão, que mais parece um trator de guerra do que um carro, e eu estava com tanto sono que até tentei tirar uma soneca subindo a colina de neve, mas o carro é muito barulhento. Subimos com o veículo até a pista, uns 5 km adiante, largamos as malas e eu voltei descendo a pé pela neve.



Foto 19 Aguardando o tão ansioso vôo.



Embora esta parte do relato pareça rápida, tudo isso durou mais de 3 horas. No final da manhã, a faina que começou as 6h00 terminou as 11h30, com um Hércules C-130 da força aérea chilena pousando e pegando todos os passageiros. Como a pista de Frei estava congelada, o avião da Antarctica XXI não podia aterrissar. Só aviões militares de carga conseguiam fazer isso. Com muito esforço e coordenação, conseguimos colocar todos os passageiros dentro do avião e as 12h00 em ponto estávamos todos sentados a mesa tendo nosso almoço.


Agora são quase 3 hs da tarde e eu aqui vou publicar esse blog. Como não vieram passageiros no vôo, conseguimos pelo menos a tarde de hoje livre. A maioria dorme, e assim que eu terminar aqui vou dormir também. A próxima viagem vai demorar mais ou menos 5 dias, então, depois do dia 13 estou por aqui de volta.



quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Um pouco mais ao sul.

Já com as roupas especiais, dando o Kick Off da expedição.
Depois de tantas reuniões e mais reuniões, o time de guias da AXXI está completamente preparado. Somos: o guia argentino Mariano Curiel (Lider da Expedição) e seu assistente o "kiwi" Ben Jackson, a coordenadora de programas a bordo e argentina Loli Figueroa, a fotógrafa suíça Sandra Walser, o naturalista canadense Mike Hann, o guia de montanha espanhol Daniel Dietz, o logistico frances Jonathan Zaccaria, a pilota de zodiac dinamarquesa Pernille Soegaard, o trainee australiano/sueco Bjorn Svensson e o bartender chileno Carlos Pérez (além do brazuca aqui que vos fala). Este dream team tem sua biografia escrita no site da AXXI (http://www.antarcticaxxi.com/about-antarcticaxxi/team/). Para comemorar, dia 26/11 fizemos um cocktail kick off da temporada, incluindo ai os donos da AXXI. Muito chique ! o Hotel Nogueira em Punta Arenas foi o local escolhido, com seu magnífico salão de reunião antigo.
O magnífico salão do Hotel José Nogueira

Terminamos o dia com as malas arrumadas e prontas para zarpar para Ushuaia no dia seguinte. E foi assim que ocorreu - pontualmente as 7 horas saímos de Punta Arenas, passando pelo ferryboat da  Transbordadora Austral Broom S.A. que cruza do lado de PUQ para Povenir e consequentemente a estrada de terra, guanacos e raposas que leva até a fronteira com San Sebastian, onde entramos na Argentina.


Balsa para o outro lado do canal (ao fundo)

Nosso companheiro de travessia (essa carreta) carregando no Ferryboat
No Passo Garibaldi - cruzamento sobre a cordilheira de Darwin (com Daniel Dietz) - e olha que tá nevando !

Foram praticamente 11 horas de estrada, com algumas breves paradas (San Sebastian, fronteira e Rio Grande), atravessando a imensidão da ponta da terra do fogo para chegar depois as montanhas Darwin e a passagem para Ushuaia. Encontramos muita neve fresca no caminho das montanhas e na passagem principal, inclusive, nevava bem forte. Um anúncio do que viria pela frente. Chegamos as 18 horas em Ushuaia, com um frio de mais ou menos 6 graus e céu totalmente encoberto, mas a neve nas montanhas que rodeiam a cidade já indicavam que a noite ia ser fria. Hora de comer, internet, uma cerveja e cama. O dia seguinte (29/11) foi praticamente livre e usei para caminhar pela cidade e ajudar a Sandra na compra de algumas peças para a Go Pro dela.Não preciso dizer o quão ansioso eu estou ! o embarque amanhã será cedo. As 9 hs já estaremos todos saindo do hotel e indo para o navio que ainda tem que ser preparado e limpo. Vai ser beeeemmmm corrido ! Zarpamos provavelmente as 18 horas com destino a Port Williams, onde vamos começar a viagem para o sul, incluindo uma parada no famoso Cape Horn.....dali, vamos ver o que vai dar.
Em Ushuaia, com o pier da Base Naval ao fundo.
Agora é hora de dormir - good bye Ushuaia.

sábado, 24 de novembro de 2012

...um dia de trabalho.

As vezes as pessoas perguntam o que eu fico fazendo antes de partir para a Antártica. Bem, a preparação em terra é bastante longa. Sempre temos pessoas novas no grupo e algumas vezes, a grande maioria é nova entre os guias. Este ano, os "veteranos" são Mariano, Loli, Ben, Sandra, Daniel e eu. Mas a maioria ainda é nova e obviamente a AXXI quer estar sempre melhorando. O que fazemos então é reunir nosso conhecimento e fazemos "briefings". Hoje o dia todo foi de reunião sobre a operação a bordo, uso dos novos botes, e a operação com o desembarque de passageiros na estação chilena FREI (http://en.wikipedia.org/wiki/Base_Presidente_Eduardo_Frei_Montalva). Muito já avançamos nesse ponto e tenho certeza de que sairá tudo bem. Aqui, a foto abaixo mostra Mariano explicando a todos com um modelo 3D (feitos de soldados de plástico hehe) sobre como iremos operar por lá. coool :)


War Games
Depois de um dia cheio de trabalho e reuniões, vamos a um sushi hoje a noite.Amanhã teremos ainda muito trabalho e na terça apenas é que vamos seguir para Ushuaia. É ali que a aventura realmente começa. Buena noche.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

À caminho....


Preguiça e sono. É exatamente o que eu senti durante toda a primeira parte do vôo para Punta Arenas. A noite foi praticamente em claro, embora estivesse tudo absolutamente certo e arrumado para a viagem. Levantei como programado as 3 hs da manhã, tomei um café rápido e o taxi já me esperava na porta de casa as 03h30. Na rodoviária tive uma pequena espera de 20 minutos e logo depois chegou o ônibus que me levou até o aeroporto de Guarulhos. Curioso apenas foi na serra. A Anchieta estava completamente lotada de caminhões o que acabou desacelerando o ritmo. Mas cheguei bem e no horário. Em menos de meia hora eu já tinha despachado a mala e estava sentado tomando café na frente do portão de embarque. Eu ainda tinha que esperar pelo menos uma hora e meia antes de entrar no avião. Para minha surpresa chegou a Sandra Walser, guia da expedição e especialista em fotografia. Ela vinha em uma só carreira de Zurich via Londres. Nossa ! estava um caco de tão cansada. Mal entrou no avião e apagou na poltrona dela. E para variar - fila na porta do avião e eu relaxando. Acho que fui a última pessoa a entrar pelo portão. Como sempre, os latinos adoram fazer fila. Na hora da foto até que estava pequena, mas cresceu rapidamente.
A fila de sempre para entrar no avião.



O vôo seguiu tranquilo e eu até que tirei um breve cochilo. Ainda deu tempo de tirar uma foto cruzando a coordilheira. Havia muito fog e um pouco de turbulência, mas nada que incomodasse muito. Chegando em Santiago tivemos um pequeno probleminha - a mala da Sandra vinda de Londres para SP tinha ficado em Guarulhos. Esperamos o vôo seguinte para pegar a mala e nessa acabamos perdendo por volta de mais de uma hora. Mas valeu a pena - encontramos com o Angello Canalles para uma cerveja (água para ele) no Gastby, e aos poucos fomos juntando o grupo - Mike, Claudio, Bjorn, Sandra e eu. E tudo corria bem até que o vôo deu pau e tivemos que sair da aeronave e trocar de avião no pátio.

Cruzando os Andes
Foi uma viagem cansativa e com o atraso chegamos depois das 8h30 da noite, horário local. Muito bom chegar naquele escritório conhecido - cheio de amigos antárticos. Até brinquei que o clima era de "Inteligência de Guerra". Olha só o esquema de como vamos fazer as complicadas fainas de translado. Idéia do Mariano e da Loli.
O esquema todo planejado do que vamos fazer.
Mal chegamos em Punta (PUQ para nós), largamos nossas coisas e fomos comer no Clube Croata. Muito bom ! tive Filet de Salmão como batatas chips e temperos...maravilhoso.
Agora é dormir que ninguém é de ferro






terça-feira, 20 de novembro de 2012

Ajustes finais....

...é interessante como as últimas horas sempre são aquelas onde a gente precisa fazer pequenos ajustes. Hoje estou com tudo separado para a minha mochila de guerra, roupas e meias (mais de 15 pares bem grossos !), óculos - pelo menos dois pares bons e um mais ou menos, boné, cachecol, 3 pares de luvas de trabalho entre outras coisas. Roupas especiais de frio só quando eu chegar em Punta Arenas. A AXXI nos repassa um excelente uniforme de trabalho composto de um macacão impermeável e uma jaqueta grossa que aguenta facilmente temperaturas negativas e ventos fortes. O que nos mata por lá é mesmo as partes expostas (rosto e mãos) mas estou muito bem preparado. Por incrível que pareça, o que me corta o coração é o estado da minha mochila de guerra. Ela até que não é tão velha assim, mas já tem pelo menos 5 antárticas no currículo e sofreu muito entre os aeroportos do Chile e do Brasil. Mas também lá no sul...certa vez, por causa do tempo ruim, minha mochila ficou por baixo de tudo e sob pelo menos dois palmos de água do mar acumulada no bote de transporte. Resultado - aprendi com a experiência que o melhor é transportar roupas em um "Dry-sack" (tenho 4 deles). Tenho ainda que arrumar as armações das câmeras (uma GoPro e uma Canon subaquática) além de fios, cabos, HDs, conectores e toda a tralha eletrônica dos sensores de temperatura que estou levando para instalar no continente antártico. Uffa !
Hoje o dia foi de reforçar as costuras da mochila (foto abaixo) e definitivamente ensacar tudo. Ansioso ? eu ? imagine (hehehe).
Costurando reforços na velha mochila de guerra


domingo, 18 de novembro de 2012

só mais 3 dias....

fico pensando..será que pinguins sentem ansiedade ? (rsrs) Apenas a 3 dias de minha viagem para o sul até que estou tranquilo. Por mais que eu já tenha feito o mesmo caminho tantas e tantas vezes, cada viagem é especial. Junta-se o momento, os planos, a saudades, tudo em um pote só. Dentro de 3 dias estarei em Punta Arenas, me encontrando com meus colegas deste ano, revendo amigos, e mergulhando de cabeça em mais uma temporada antártica. As pessoas me perguntam o que é que acontece antes de cada viagem - alinhamos com a equipe de guia tudo que tem que ser feito. Cada um tem seu papel, liderado pelo nosso "chefe polar", Mariano, e cuidadosamente planejado pela AXXI (Essa sigla vocês irão ler muito aqui - significa Antarctica XXI - http://www.antarcticaxxi.com). Tenho ainda todos os meus papéis de trabalho para assinar, cartório, contrato, etc além de organizar tudo que vou fazer em termos de ciência, dentro da operação da temporada, roupas especias, etc. Vamos ainda alinhar as nossas apresentações e informações que vamos passar para os turistas que embarcam nos diferentes grupos. Ou seja, ainda tem um longo caminho pela frente antes de tomarmos o rumo do Drake e cruzarmos para "Neverland", como carinhosamente chamamos as terras ao sul do paralelo 55 graus.
Só mais 3 dias.....
Foto: Tim Davis. Pinguins Adélie pulando do gelo.